Produção de vinhos: o que acontece após a colheita das uvas?

Produção de vinhos: o que acontece após a colheita das uvas?

Uvas são desengaçadas e prensadas para extração de todo o suco, enquanto o solo passa por manejos para um novo ciclo de colheita....

A colheita das uvas é um dos momentos mais simbólicos da viticultura. No entanto, ela é apenas uma parte da jornada para transformar a matéria-prima em vinhos de qualidade.

Recentemente, a Cooperativa Vinícola Aurora encerrou a safra de 2026 com um marco histórico: uma colheita de 93 milhões de quilos de uva, realizada entre os meses de dezembro e março. Esse foi o maior volume registrado em 95 anos de história. Além disso, o resultado representa um crescimento de 30% em relação a 2025.

Mas o que acontece após a colheita? Para entender esse processo, é necessário dividi-lo em duas etapas: a produção dos vinhos e a preparação do solo para uma nova safra. Entenda no texto a seguir.

O caminho das uvas após a colheita

De acordo com o enólogo da Cooperativa Vinícola Aurora, Christian Bernardi, a uva é uma fruta que não suporta ser guardada in natura. Por conta disso, poucas horas após a colheita, elas começam a ser processadas.

A primeira etapa consiste em desengaçar as uvas (separar o cabinho que sustenta os grãos). Em seguida, as uvas, levemente esmagadas, são prensadas para a extração de todo o suco. No caso dos vinhos tintos, elas são colocadas em tanques com as cascas.

“É neste momento que ocorre a fermentação do suco, que é a transformação dos açúcares da uva em álcool e gás carbônico. Após esse processo, tecnicamente já temos o vinho. A partir daí, irão ocorrer atividades relacionadas a aprimorar a qualidade, que são muito variadas e facultativas para alguns produtos”, afirmou.

Filtração, refrigeração, envelhecimento e maturação dos vinhos em barricas de carvalho são alguns exemplos de atividades realizadas até chegar ao engarrafamento.

Dessa forma, um vinho resultante das uvas colhidas na Safra 2026 poderá ser engarrafado em poucas semanas ou levar até anos, já que cada tipo de produto possui suas particularidades.

“Dois exemplos extremos: no mês de maio de 2026, já estaremos comercializando espumantes moscatéis, elaborados com uvas da safra 2026. No mesmo mês, estaremos lançando o Millésime, da safra 2020, ou seja, seis anos após a colheita”, comentou.

Diferenças entre os tipos de vinhos

A Vinícola Aurora conta com diversos tipos de vinhos em seu portfólio, incluindo os tradicionais tinto, branco e rosé. Segundo Bernardi, a cor é o aspecto mais evidente e visível entre essas variedades, que se origina de pigmentos que estão na casca da uva.

“Assim sendo, a principal diferença de processo entre brancos, rosés e tintos é o tempo de contato da casca com o mosto ou vinho. Como regra, os vinhos brancos são separados muito rapidamente da casca do líquido. Nos vinhos tintos, a casca permanece em contato por alguns dias, até semanas. Já nos rosés, o contato é de algumas horas”, comentou.

Nesse cenário, alguns vinhos brancos podem ficar prontos para serem engarrafados em 3 ou 4 meses, enquanto vinhos tintos podem demorar de 5 a 10 anos para atingir seu pico de evolução.

A preparação para uma nova colheita

De acordo com o gerente agrícola da Cooperativa Vinícola Aurora, Maurício Bonafé, a videira é uma planta perene, ou seja, é cultivada no mesmo local e frutifica por vários anos sem necessidade de ser substituída.

“No final de um ciclo, costumamos dizer que já se inicia outro, ou seja, a planta se prepara para entrar em período de descanso, tecnicamente conhecido como dormência, processo fundamental e necessário para iniciar um novo ciclo. Após a colheita, são realizados manejos para manutenção das folhas, que servem como fonte de nutriente para a gema, parte da planta que será responsável pela brotação e pelo início da formação dos frutos”, explicou Bonafé.

Além dos manejos para manutenção, há também o processo de renovação dos vinhedos, realizado por produtores que entendem que as plantas não estão entregando o máximo de sua capacidade produtiva, tanto em volume de uva quanto em qualidade esperada.

Preparo do solo

Segundo Bonafé, após a safra, ocorre o arranquio das videiras e o preparo do solo, contando com todas as técnicas agronômicas fundamentais para o bom desempenho da nova videira.

“O primeiro passo é a análise do solo e a recomendação de correção dele, processo este que conta com a adição de corretivos de acidez e adubos para equilibrar nutricionalmente o solo e poder extrair o máximo de sua capacidade produtiva”, afirmou.

No momento adequado, são implantadas as mudas e aguarda-se o início do ciclo que formará o novo vinhedo. Vale ressaltar que todos os processos são realizados em conjunto com os agrônomos da cooperativa, que orientam desde os manejos pós-colheita até que o ciclo seja finalizado com a própria colheita.

Cooperativa Vinícola Aurora: qualidade da colheita à taça

Com mais de 1,1 mil cooperados, a Vinícola Aurora nasceu em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. A cooperativa se destaca pelo reconhecimento, prestígio e suporte que fornece aos seus cooperados.

A qualidade também é um fator de destaque. A Aurora soma mais de 1.000 premiações em concursos nacionais e internacionais, tornando-se a vinícola mais premiada do mundo.

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