Uvas

BRS Lis e BRS Antonella: as novas variedades de uvas no Rio Grande do Sul

Novas variedades ajudam a reduzir a dependência de uvas mais suscetíveis a doenças, além de melhorar a produção....

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária) apresentou duas novas variedades de uvas que estão sendo desenvolvidas no Rio Grande do Sul: a BRS Lis e a BRS Antonella. Ambas já começaram a ser cultivadas por cooperados da Vinícola Aurora em 2026. 

Segundo a Embrapa, a expectativa é reduzir a dependência de variedades mais suscetíveis a doenças ou com limitações de produtividade e processamento. Ao mesmo tempo, uma das metas é garantir uma longevidade maior aos vinhedos. 

Confira no texto a seguir as principais características da BRS Lis e da BRS Antonella e entenda como a Vinícola Aurora realiza o melhoramento genético das uvas dentro do programa Embrapa. 

Por que é importante investir em novas variedades de uvas? 

A diversificação de cultivares de uva apresenta importantes vantagens agronômicas, tanto para os produtores quanto para as vinícolas, contribuindo para maior sustentabilidade e competitividade da cadeia vitivinícola.

O engenheiro agrônomo da Cooperativa Vinícola Aurora, Flávio Rotava, explicou que para o produtor a utilização de diferentes variedades de uvas permite a redução dos riscos produtivos associados às condições climáticas, à incidência de doenças e às oscilações de mercado. 

“Variedades com diferentes ciclos fenológicos possibilitam escalonamento da colheita, melhor distribuição da demanda por mão de obra e otimização do uso de máquinas e estruturas de processamento”, explicou. 

Estabilidade e produtividade 

De acordo com Rotava, a diversificação também contribui para maior estabilidade produtiva entre safras, especialmente quando são utilizadas uvas com diferentes níveis de tolerância a doenças como míldio, podridões de cacho e antracnose. 

Em muitos casos, variedades mais adaptadas às condições regionais permitem redução no número de aplicações fitossanitárias, diminuindo custos de produção e impactos ambientais.

Sob o aspecto agronômico, diferentes cultivares apresentam comportamentos distintos quanto à fertilidade, produtividade, arquitetura de cachos, acúmulo de açúcares e manutenção da acidez, permitindo maior adaptação aos diferentes sistemas de cultivo e objetivos de produção.

“Para as vinícolas a diversificação varietal amplia a flexibilidade tecnológica e industrial. A disponibilidade de uvas com diferentes perfis de cor, acidez, aroma, açúcar e estrutura fenólica possibilita maior precisão na elaboração de cortes, padronização de produtos e desenvolvimento de novos estilos de sucos, vinhos e espumantes”, comentou o engenheiro agrônomo. 

Além disso, a introdução de novas variedades pode agregar valor comercial aos produtos, atender nichos específicos de mercado e estimular a inovação tecnológica no setor vitivinícola, fortalecendo a competitividade regional e nacional da cadeia produtiva da uva e do vinho.

Características da BRS Lis 

A BRS Lis é uma uva de ciclo intermediário, com colheita na primeira quinzena de fevereiro. Ela se destaca pela tolerância ao míldio, uma importante doença da videira, e às podridões dos cachos, responsáveis por efeitos severos nos vinhedos. 

A variedade oferece ainda alta qualidade do mosto (suco obtido pela prensagem das uvas), acidez equilibrada, intensa coloração e elevado teor de açúcares. Seus cachos soltos contribuem para menor incidência de doenças e maior estabilidade produtiva, favorecendo sistemas de cultivo mais sustentáveis.

“A arquitetura mais solta dos cachos favorece a redução da compactação, contribuindo para menor incidência de doenças fúngicas e maior estabilidade produtiva ao longo das safras, aspecto relevante para sistemas de produção com menor demanda fitossanitária e maior sustentabilidade”, explicou Rotava.

Características da BRS Antonella 

A BRS Antonella apresenta alto potencial produtivo, com produtividade semelhante ou superior às uvas tradicionais mais plantadas. Ela é indicada para aportar volume de produção e intensidade de cor em sucos e vinhos. 

Assim como a BRS Lis, a BRS Antonella tem ciclo intermediário e se adapta bem à Serra Gaúcha, o que possibilita uma integração eficiente aos sistemas produtivos já consolidados.

“Sob o ponto de vista tecnológico e industrial, a utilização conjunta das cultivares BRS Lis e BRS Antonella possibilita maior flexibilidade na elaboração de cortes, associando o elevado rendimento produtivo da BRS Antonella à intensa coloração, qualidade tecnológica e melhor comportamento fitossanitário da BRS Lis”, completou o engenheiro agrônomo. 

O manejo agronômico de ambas as uvas pode ser realizado em sistema de condução em latada, utilizando práticas culturais semelhantes às tradicionalmente empregadas em variedades americanas e híbridas. 

Como é feito o melhoramento genético de uvas na Vinícola Aurora? 

De acordo com Flávio Rotava, a Cooperativa Vinícola Aurora utiliza seleção massal e mutações com observação em campo como método para aprimorar e desenvolver novas variedades de uvas. 

A seleção massal é baseada na identificação e seleção  de tipos superiores dentro de uma plantação. As plantas selecionadas são propagadas ou recombinadas em conjunto, promovendo incremento gradual da frequência de características desejáveis ao longo das gerações. 

“Trata-se de uma metodologia amplamente utilizada em espécies alógamas e em materiais propagados vegetativamente, devido à sua simplicidade operacional e baixo custo”, afirmou Rotava. 

A seleção por mutação, por sua vez, baseia-se na identificação de variantes genéticas originadas espontaneamente ou induzidas por agentes físicos ou químicos. 

Em videira, a seleção de mutações somáticas naturais possui elevada relevância, especialmente para características relacionadas à coloração de bagas, ausência de sementes, época de maturação, arquitetura de cachos e adaptação agronômica.

“Após a identificação do mutante de interesse, realiza-se sua multiplicação vegetativa e posterior avaliação agronômica, fenológica, fitossanitária e tecnológica para validação comercial da nova seleção”, comentou Rotava. 

Inovação na Cooperativa Vinícola Aurora 

Desde 1931, a Vinícola Aurora preza pela inovação para trazer ainda mais competitividade para os cooperados no mercado de vinhos. Atualmente, a cooperativa conta com uma série de variedades de uvas sendo produzidas. Por exemplo: 

  • Uvas americanas e híbridas: Bordô,  Concord, BRS Carmem, BRS Magna, BRS Cora, Isabel, BRS Lorena, Moscato Híbrido e Seibel 10096.
  • Uvas viníferas: Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Malvasia de Cândia Aromática, Riesling Itálico, Merlot, Moscato Branco, Tannat e Trebbiano Toscano.

Para conhecer outras práticas de inovação da Vinícola Aurora na Serra Gaúcha, acompanhe o nosso blog.