A Cooperativa Vinícola Aurora amplia sua presença fora do Brasil com a Aurora Uruguai, unidade que integra a estratégia internacional da marca e reforça sua atuação no cenário vitivinícola sul-americano. O projeto nasceu de uma decisão de expansão produtiva e comercial, com base na experiência construída ao longo de décadas pela cooperativa.
A iniciativa também traduz uma lógica de negócio que dialoga com o momento atual do setor. Em vez de olhar apenas para o mercado brasileiro, a Aurora estrutura sua presença em outro país com atenção à origem das uvas, ao perfil dos vinhos e às oportunidades comerciais ligadas à importação e à exportação. É um movimento que une produção, gestão e mercado em uma mesma estratégia.
Para a cooperativa, a Aurora Uruguai não funciona como uma operação isolada. Ela conversa com o histórico da marca, com a base cooperativista e com a troca técnica entre Brasil e Uruguai.
Continue a leitura para entender como essa operação se conecta ao terroir uruguaio, ao trabalho entre equipes e ao posicionamento da Aurora no exterior.
Aurora Uruguai e a estratégia de expansão
A Aurora Uruguai surgiu como parte de um plano de crescimento da cooperativa no mercado internacional. Larissa Dal Piva, responsável pela área comercial, explicou que a decisão está ligada à necessidade de ampliar capacidade produtiva e de atuar em um ambiente em que os vinhos importados têm relevância comercial.
“O movimento é estratégico”, afirmou Larissa, ao explicar que a operação permite à marca atuar em frentes diferentes e alcançar mercados que reconhecem o Uruguai como origem de negócio.
A história dessa expansão também tem relação com a trajetória da Aurora em exportação. Larissa lembrou que, em 1997, a Aurora Brasil registrou um fluxo expressivo de venda de vinhos de uvas viníferas para os Estados Unidos com a marca Marcus James. Isso ajudou a consolidar a decisão de expandir as operações para outro país. Depois, entre 2016 e 2018, a Aurora Uruguai também produziu Marcus James para venda no Brasil, em um período de quebra de safra no país.
A base comercial da operação
A presença no Uruguai fortalece a atuação da Aurora em um mercado que já faz parte da sua rotina comercial.
Larissa explicou que a cooperativa abriu caminho para a exportação de vinho uruguaio ao Brasil e hoje a Aurora está entre as maiores exportadoras desse produto para o mercado brasileiro. Ela também destacou que esse fluxo tem peso na balança comercial uruguaia, já que o Brasil representa 57% das exportações do país.
No campo comercial, a Aurora Uruguai também permite desenhar modelos de negócio mais flexíveis. “Trabalhamos com marcas exclusivas ou marcas próprias”, disse Larissa, ao explicar que a operação permite customização desde o rótulo até o ponto de venda. Esse formato amplia as possibilidades de parceria com clientes que buscam soluções alinhadas ao seu portfólio.
O terroir uruguaio
O terroir é um dos pilares que sustentam a Aurora Uruguai. Larissa apontou que a unidade trabalha com vinhos de diferentes regiões do país, cada uma com características próprias de solo, clima e perfil de uva.
“Os vinhos Reserva Tannat, Reserva Cabernet Sauvignon e Gran Reserva vêm da região de Salto, pioneira da vitivinicultura no Uruguai, onde a cultura foi introduzida por Pascual Harriague com a uva Tannat. Localizada no noroeste do país, na fronteira com a Argentina, a área tem clima mais quente e úmido, elevada amplitude térmica e forte influência dos rios Uruguai e Daymán”.
Esses fatores contribuem para vinhos com frutas mais maduras, taninos mais macios, mais corpo e teor alcoólico mais elevado. Os solos são siltosos e arenosos, sobre uma camada de cascalho bem drenado.
Regiões e perfis de uva

Os brancos Sauvignon Blanc e Chardonnay são elaborados em Montevidéu e Maldonado. Larissa descreveu Montevidéu como uma das regiões mais antigas do Uruguai, com influência oceânica, temperaturas mais frescas e solos férteis formados por sedimentos. A região também abriga as videiras mais antigas do país e está próxima dos grandes centros de consumo e dos portos, o que favorece sua importância para a vitivinicultura uruguaia.
Em Maldonado, a forte influência oceânica, o clima fresco, as temperaturas mais moderadas, a maior amplitude térmica e a incidência de ventos favorecem o cultivo de uvas brancas como Sauvignon Blanc e Chardonnay, ajudando na sanidade das videiras. A região tem média de altitude de 600 metros e solos variados, com formações graníticas, incrustações de quartzo, solos aluviais nos vales, embasamento cristalino e áreas pedregosas, além do uso de tecnologia nos vinhedos.
Larissa Dal Piva também detalhou a produção de varietais tintos em Canelones e Colônia. Canelones, próxima a Montevidéu, responde por cerca de 60% da produção de vinhos do Uruguai. A região tem clima semelhante ao da capital, paisagem plana com suaves encostas, temperaturas amenas e sem grande amplitude térmica. Os vinhos produzidos ali são varietais Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat, com perfil mais leve, álcool de 12,5% vol. e características de frutas frescas.
Já Colônia tem paisagem suavemente ondulada, solos de origem aluvial, profundos e com drenagem rápida, além de camadas de silte-argiloso, silte-calcário e sedimentos arenosos. Localizada a oeste, próxima a Buenos Aires, a região tem invernos frios e verões muito quentes, com o Oceano Atlântico e o Rio de La Plata como moderadores de temperatura. Dali vem o Tannat varietal da Aurora Uruguai, com perfil frutado e uma proposta mais jovem e descontraída.
Troca técnica entre as equipes
A Aurora Uruguai opera em parceria com o time de enologia brasileiro, e essa integração aparece como um dos diferenciais da unidade. Larissa afirmou que a troca de experiência entre as equipes do Brasil e do Uruguai é fundamental para a elaboração anual dos vinhos. Segundo ela, o conhecimento técnico desenvolvido no Brasil contribui para o aprimoramento das práticas no Uruguai.
Essa relação também está ligada ao padrão de produção da cooperativa. Larissa destacou que, por serem exportadores, a Aurora precisa elaborar seus vinhos dentro de parâmetros internacionais. Isso reforça a consistência técnica da operação e ajuda a posicionar a marca em mercados que valorizam origem, rastreabilidade e controle de processo. “O Brasil possui alta relevância e conhecimento tecnológico, e leva essa expertise para o Uruguai”, disse.
Cultura que atravessa fronteiras
Para Larissa, a presença no Uruguai também preserva a essência da Aurora. Ela observou que os parceiros uruguaios mantêm uma cultura de produção que passa de pai para filho, algo que se aproxima da história da cooperativa brasileira. Esse vínculo ajuda a sustentar a identidade da marca fora do país.
A operação não rompe com a origem da Aurora. Ao contrário, ela amplia essa base em outro território, sem desligar a expansão da cultura de trabalho com a terra, da transmissão de conhecimento e da continuidade entre gerações.
Presença em feiras e mercados
A atuação da vinícola no Uruguai também está ligada à visibilidade internacional. Larissa informou que a unidade participa de feiras como ProWine Düsseldorf, na Alemanha, e Wine Paris, na França, levando os vinhos a públicos internacionais. A marca também está presente em eventos setoriais como Wine South America, ProWine São Paulo e APAS São Paulo.
Nesses espaços, a Aurora Uruguai se apresenta ao lado de entidades uruguaias e busca públicos interessados em vinhos importados. Esse trabalho amplia a presença da marca e cria oportunidades comerciais em diferentes frentes.
A unidade, portanto, não atua apenas como ponto de produção, mas como parte de uma estratégia de relacionamento com o mercado.
Larissa ainda adiantou uma novidade para 2026: o lançamento do Reserva 100% Alvarinho. Segundo ela, a empresa segue atenta ao mercado brasileiro e aos demais mercados potenciais no mundo. Esse ponto reforça que a expansão internacional não é um episódio isolado, mas parte de uma estratégia contínua de evolução.
Aurora Uruguai no portfólio da marca
A Aurora Uruguai ajuda a mostrar como a cooperativa trabalha com tradição e inovação dentro de uma mesma lógica de negócios. A operação dialoga com a história da marca, com sua experiência em exportação e com a construção de vinhos voltados ao mercado externo. Ao mesmo tempo, preserva a relação com a agricultura familiar e com a cultura vitivinícola que sustenta a Aurora desde 1931.
Nesse contexto, a operação uruguaia mostra uma empresa que combina estrutura, capacidade produtiva, domínio técnico e abertura para modelos comerciais adaptáveis. A unidade no país vizinho foi pensada para ampliar mercado, fortalecer a marca e sustentar novos caminhos de crescimento. Esse conjunto dá ao projeto um papel estratégico dentro da cooperativa.
A experiência acumulada pela cooperativa ganha uma nova dimensão com a operação no país vizinho. Essa presença conecta terroir, produção, exportação e relacionamento comercial em uma mesma proposta, mantendo a essência cooperativista e ampliando a atuação da marca em mercados que reconhecem a origem, a consistência e a capacidade de entrega.


