Imagine-se comendo o mesmo prato todos os dias, sempre com o mesmo sabor, com o mesmo aroma e textura. Certamente vai chegar um momento em que o seu olfato e paladar pedirão novidade, e que, consequentemente, enjoou de comer esse prato todo santo dia. Bem, isso não acontece apenas com a comida, mas com algumas uvas do mundo do vinho também. Afinal, todos nós sabemos como se expressa, por exemplo, a uva Merlot, Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc e Chardonnay.
E conhecendo sobre essas variedades de uvas, chegamos a um ponto onde nosso paladar evolui e busca conhecer outras cepas, aquelas pouco convencionais que volta e meia surgem no cenário vitivinícola.
Ansiamos por coisas novas o tempo todo, é por isso que toda vez que uma uva surge, nutrimos uma severa curiosidade em conhecê-la, em prová-la, em saber sua origem e suas características.
E foi exatamente isso que aconteceu quando a uva Alvarinho despontou no horizonte. Não vamos dizer que ela é totalmente desconhecida, pois há grandes vinhos que são feitos com ela, principalmente na Europa, mas cá entre nós, quando alguns produtores brasileiros começaram a trabalhar com ela, a curiosidade foi tamanha que todo mundo buscou conhecer um pouco mais.
Mas, afinal, o que é a uva Alvarinho?
Raízes
Antes de qualquer coisa, vale frisar que o seu nome muda conforme a região. Em Portugal é chamada de Alvarinho e na Espanha de Albariño. Mas, quanto à sua origem, acredita-se que ela tenha surgido na área da Galícia, que fica ao noroeste da Espanha e ao norte de Portugal, tendo sido levada para terras portuguesas no século XII.
Em Portugal ela é cultivada na sub-região de Monção e Melgaço, na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, próxima à fronteira com a Espanha. Já no país espanhol, a Albariño é cultivada principalmente na região das Rías Baixas, muito próxima à região portuguesa de Vinhos Verdes, Monção e Melgaço.
A Alvarinho vive um momento de grande expansão, e por mais que as raízes históricas da cepa estejam ligadas à Península Ibérica (Espanha e Portugal), outras regiões vinícolas ao redor do mundo, como Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Uruguai, Argentina, Brasil e até Bordeaux, têm apostado no cultivo da casta.
No calendário do vinho, 1º de agosto é o Dia do Alvarinho. Mas como é essa uva?
Características
Os vinhos produzidos a partir da uva Alvarinho geralmente apresentam aromas e sabores frutados e frescos. Notas de frutas brancas, como pêssego, pêra e maçã, são frequentemente encontradas, junto a notas de flor de laranjeira e jasmim.
Além disso, é comum perceber toques cítricos, como o de limão, que contribuem para a vivacidade do vinho. Além de possuir, geralmente, corpo médio, a casta também é caracterizada por sua acidez vibrante e refrescante, fundamental para criar vinhos equilibrados, que são muito apreciados quando servidos jovens, mas que podem render estilos mais complexos quando envelhecidos em barris de carvalho.
Os cachos da Alvarinho não são muito cheios, possuindo bagos pequenos e cascas grossas, passíveis de suportar baixas temperaturas. Além disso, a variedade apresenta brotamento e amadurecimento precoces e alto teor de açúcar, possibilitando a produção de vinhos bem equilibrados entre acidez e álcool, e boa capacidade de envelhecimento.
Seus vinhos têm tonalidade amarelo-palha, com reflexos esverdeados, e harmonizam bem com pratos frescos como peixes, frutos do mar, aves grelhadas e saladas, mas também podem surpreender junto a preparos mais elaborados, como um lombo assado bem temperado.
A Alvarinho no Brasil
No Brasil, a uva Alvarinho vem atingindo ótimos resultados, tendo como principais regiões produtoras a Serra Gaúcha, em especial Monte Belo do Sul e Vale dos Vinhedos, Campos de Cima da Serra e Serra do Sudeste, além de estar alcançando bons resultados na Campanha Gaúcha e em São Joaquim, na Serra Catarinense.
Por aqui, no Brasil, essa variedade apresenta alta acidez, corpo leve a médio e aromas de frutas brancas, cítricas e toques minerais. Além disso, dependendo da região onde ela é cultivada, pode apresentar alto teor alcoólico.
No portfólio da Aurora
A Cooperativa Vinícola Aurora, atenta às demandas do mercado e às novidades que se apresentam, lançou em 2026 o Reserva Alvarinho, um vinho que busca levar ao consumidor uma nova opção de uva em detrimento das convencionais e clássicas que já existem.
A Vinícola Aurora trabalhou em um rótulo que pudesse ser versátil e de fácil compreensão, por isso o Reserva Alvarinho da safra 2025 é um vinho jovem, sem passagem em barril de carvalho, com estágio apenas em tanques de aço inox. É um vinho com aspecto límpido e brilhante, alta intensidade aromática, e que traz aromas de frutas cítricas como pera, maçã, frutas de caroço como pêssego e lichia, além de flores brancas e discreto toque de amêndoas.
Com alta acidez e agradável volume de boca, esse Reserva Alvarinho possui retrogosto mineral e toques frutados e florais, típicos da variedade. E quando o assunto é harmonização, ele acompanhará muito bem peixes, frutos do mar em geral, carnes leves, risotos e massas com molhos brancos e à base de ervas. Saladas como caprese e Caesar, e queijos macios e semiduros também são uma ótima escolha na hora da harmonização.
A oportunidade de descobrir e provar coisas novas está aí, afinal, não vamos deixar de beber vinhos de uvas já conhecidas, mas podemos, sim, alargar nosso repertório conhecendo novas variedades. A Alvarinho é a aposta do mercado, a variedade que o consumidor de vinho precisa conhecer, pois além de aumentar o repertório vínico, não se arrependerá.


