Cooperativa Vinícola Aurora

Vinícola Aurora 95 anos: uma trajetória cultivada de forma coletiva

Ao longo dos seus 95 anos de história, a Vinícola Aurora trouxe inovações e investiu no crescimento dos cooperados....

Equilibrando tradição e inovação em cada garrafa, a Cooperativa Vinícola Aurora completa 95 anos de existência em 2026, provando que a união sempre fez a força. Não por acaso, a empresa bateu seu recorde de visitantes em 2025, com mais de 260 mil turistas em suas unidades na Serra Gaúcha.

Porém, antes de ter um extenso portfólio de vinhos premiados, a Aurora nasceu de algo ainda mais valioso: a união de pessoas guiadas pelo trabalho, pela confiança e pelo propósito comum.

Conheça no texto a seguir um pouco da história de sucesso da maior cooperativa vitivinícola do Brasil.

Raízes cultivadas a várias mãos

Vinícola Aurora
Cooperativa Vinícola Aurora foi fundada em 1931.

Oficialmente, a história da Cooperativa Vinícola Aurora começa no dia 14 de fevereiro de 1931, em Bento Gonçalves (RS). Naquela época, o cenário era complicado: o mundo vivia os reflexos da crise de 1929, causada pela quebra da Bolsa de Nova York, e os pequenos produtores sentiam isso diretamente no bolso.

Foi nesse contexto que 16 agricultores, pequenos produtores rurais, decidiram que, sozinhos, não iriam conseguir sobreviver. Eles se reuniram na propriedade de Antônio Pértile, local que hoje é conhecido como a Gruta de Bento Gonçalves-RS.

À sombra de uma grande árvore, tomaram a decisão que mudaria a história da viticultura brasileira: fundar uma cooperativa baseada na ajuda mútua, na confiança e no trabalho coletivo.

Entre os fundadores da Aurora estão nomes que até hoje fazem parte da memória da cooperativa, como Guilherme Fontanari, que foi o primeiro presidente, além de João Zatt, Carlos José Turconi, Ângelo Zatt, José Turconi, Antônio Crestani, Vittório Turconi, José Dall’Oglio, Romano Constantin, Ernesto Possamai, Félix Roman, Líbero Puerari, entre outros.

Eram homens simples, descendentes de imigrantes italianos, mas com uma visão muito clara: ou eles se uniam, ou não teriam futuro. Tanto que, naquele período, várias cooperativas surgiram e faliram rapidamente naquela região.

Envelhecendo como vinho

Cooperativa Vinícola Aurora
Cooperativa Vinícola Aurora na década de 50

O crescimento da Aurora foi gradual, mas constante. Em 1931, eram apenas 16 associados. Cinquenta anos depois, em 1981, esse número já ultrapassava mil cooperados.

Com isso, as áreas antes dedicadas ao milho, trigo e feijão foram sendo substituídas por parreirais, fortalecendo a vitivinicultura como principal atividade econômica das famílias associadas.

Antes disso, na década de 1940, a produção foi se tornando cada vez mais farta, gerando mais vendas e o início da exportação dos produtos em 1950. Na década seguinte, a cooperativa abriu as portas para o enoturismo na cantina e iniciou o processo de importação de mudas.

Em 2000, a Aurora se tornou líder em premiações e concursos no âmbito nacional e internacional. Vale ainda mencionar que, em 2019, foi inaugurada uma nova unidade no Vale dos Vinhedos, além da modernização do recebimento de uvas, com descarregamentos por meio de robôs.

Ao longo das décadas, a cooperativa foi se modernizando, investindo em tecnologia, ampliando sua estrutura industrial, criando marcas, engarrafando vinhos que antes eram vendidos a granel e introduzindo novas variedades de uvas.

Mas, mesmo com todo esse crescimento, a essência nunca mudou. A Aurora sempre deixou claro que o sucesso dela vinha do trabalho individual de cada produtor, somado à força do coletivo.

Origem do nome

A origem do nome da vinícola tem uma história curiosa. Em 1931, as gêmeas Aurora e Alba Cao levavam todos os dias o almoço do pai pedreiro, Luigi Cao, que construía “um pavilhão para a uva”, na cidade de Bento Gonçalves.

Os colonos se afeiçoaram às meninas, e elas lhes serviram de inspiração no momento em que deviam dar uma denominação à associação. “Alba ou Aurora?”, perguntaram-se eles entre si, e acabaram optando por Aurora.

Uma história feita por pessoas

Na Aurora, a tecnologia sempre foi vista como ferramenta, nunca como substituição de pessoas. Desde o início, existe um entendimento muito claro de que máquinas não pensam, não sentem e não carregam valores. Quem faz isso são os humanos.

Isso aparece muito forte na história da Aurora: sempre que a cooperativa investiu em crescimento, ela também investiu em pessoas, com educação cooperativista, encontros com associados, envolvimento das famílias, cuidado com o bem-estar, saúde, formação de novos líderes e valorização dos colaboradores.

A Aurora entende que uma cooperativa só funciona de verdade quando as pessoas se sentem parte dela, e não apenas fornecedoras ou funcionárias.

O que significa ser um cooperado da Aurora?

Ser cooperado da Aurora é muito mais do que entregar uva. É ser dono, participar, opinar, votar, acompanhar e se sentir responsável pelo futuro da maior cooperativa vitivinícola do Brasil. Atualmente, são mais de 1,1 mil famílias cooperadas.

“O cooperado não é só produtor. Ele é alguém que entende do negócio, que se envolve nas decisões, que participa das assembleias, que cobra transparência e também contribui com ideias. A Aurora cresceu e se profissionalizou muito nos últimos anos, então o cooperado também precisou crescer junto, precisou se atualizar, aprender sobre gestão, mercado, qualidade, liderança, sustentabilidade, pensamento crítico e visão de futuro”, destaca Renê Tonello, presidente do Conselho de Administração da Cooperativa Vinícola Aurora.

Ser cooperado hoje é carregar um legado histórico e, ao mesmo tempo, assumir o compromisso de preparar a Aurora para o futuro.

O coração da Aurora

Aurora
Ao longo dos seus 95 anos de história, a Vinícola Aurora trouxe inovações e investiu no crescimento dos cooperados. Foto: Zéto Telöken

O papel da Aurora nunca ficou restrito apenas ao aspecto econômico. O setor social sempre foi tratado como o verdadeiro coração da cooperativa.

Convênios com hospitais, planos de saúde, universidades, apoio jurídico, transporte, orientação técnica e assistência às famílias sempre fizeram parte da rotina da cooperativa. Isso criou uma relação de proximidade muito forte, quase familiar, entre a Aurora e seus cooperados.

Nos últimos anos, a Aurora vem reforçando ainda mais esse papel, ampliando ações voltadas à educação cooperativista, inclusão, sustentabilidade e desenvolvimento humano.

Programas como o AME (Aurora Mulheres Empreendedoras) e o Comitê Elas pelo Coop mostram como a cooperativa entende que o futuro do cooperativismo também passa pelo protagonismo feminino no campo e na gestão.

Outro ponto importante é a forma como a Aurora vem trabalhando temas como sustentabilidade e responsabilidade social, alinhando suas ações às boas práticas ambientais e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

No fim das contas, o papel social da Aurora é esse: ser um elo entre passado, presente e futuro, honrando o trabalho de quem veio antes, cuidando de quem está hoje e preparando o caminho para quem ainda vai chegar.

Desafios para o futuro

Para Tonello, o grande desafio da Aurora daqui para frente é equilibrar tradição e inovação, e continuar crescendo, sendo competitiva e sustentável, sem perder a alma cooperativista que a trouxe até aqui.

“O futuro passa por mais tecnologia, mais profissionalização, mais sustentabilidade e mais transparência. Passa também por entender o novo perfil de cooperado, as novas gerações, o comportamento do consumidor e as exigências de mercado tanto no Brasil quanto fora dele”, afirmou.

A Aurora já provou que sabe atravessar crises, se reinventar e sair mais forte. E tudo indica que esse novo ciclo será mais um capítulo bonito de uma história construída a muitas mãos.