Quando a gente escolhe andar mais a pé, separar o lixo, comprar de produtores da nossa região ou participar das decisões de uma cooperativa, pode parecer pouco. Mas essas escolhas, que fazem parte do nosso cotidiano, estão diretamente ligadas ao que chamamos de sustentabilidade. A novidade é que o Brasil acaba de apresentar, durante a COP30, uma ferramenta que ajuda a reconhecer e valorizar esse tipo de ação: a Taxonomia Sustentável Brasileira.
Ela funciona como uma espécie de “dicionário oficial” que define o que pode ser considerado sustentável na prática. E o mais interessante: ela não se limita ao que é ambiental. Ela também reconhece ações que reduzem desigualdades sociais, regionais, de gênero e raça, e que fortalecem a economia local e o bem-estar coletivo. Ou seja, é uma visão que entende que sustentabilidade de verdade vai muito além do verde, ela precisa ser econômica, social, ambiental e institucional ao mesmo tempo.
Esse tipo de entendimento tem tudo a ver com o que pesquisamos recentemente na UFAC e na ESCOOP – Escola Superior do Cooperativismo. No artigo que publicamos agora em outubro, mostramos que os artigos científicos mais citados sobre sustentabilidade no mundo ainda estão muito concentrados na dimensão ambiental. O nosso trabalho propõe justamente o contrário: que a sustentabilidade precisa ser pensada de forma equilibrada e territorializada, e que as cooperativas têm um papel central nesse processo.
Afinal, quando uma cooperativa decide investir em energia limpa, apoiar a agricultura regional, promover acesso à educação, ao esporte ou gerar empregos regionais, ela está fazendo exatamente o que a Taxonomia define como sustentável. E mais: ela está fazendo isso a partir da decisão de seus próprios associados, conectando valores, identidade e prática.
Por isso, iniciativas como essa taxonomia são importantes. Elas nos ajudam a mostrar que aquilo que muitas vezes parece invisível, como consumir de forma consciente ou participar de uma assembleia, é, sim, parte da transformação que o mundo precisa.
No fim das contas, sustentabilidade não é algo distante. Ela começa com a forma como vivemos, cooperamos e escolhemos no dia a dia. E agora, com mais clareza sobre o que realmente importa, temos mais um motivo para continuar nesse caminho — juntos.
Sobre Deivid Ilecki Forgiarini

Deivid Ilecki Forgiarini é especialista em Identidade Cooperativista e Gestão, dedicado a tornar os conceitos do cooperativismo mais acessíveis e a aproximar pessoas. Com uma visão prática e linguagem simples, defende que as boas ideias só têm real valor quando contribuem para o desenvolvimento sustentável. Enxerga no cooperativismo uma poderosa ferramenta de transformação social e fortalecimento das comunidades. Atualmente, atua como professor na Universidade Federal do Acre e coordena o Mestrado Profissional em Administração Pública, após uma sólida experiência como coordenador da graduação na Escoop – SESCOOP/RS.
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