As mulheres estão presentes de maneira consolidada e representativa em todos os setores da sociedade e da economia, e a área vinícola não foge à regra.
Elas correspondem a cerca de 30% dos profissionais da indústria do vinho no mundo, segundo o relatório “Diversity, Equity, And Inclusion In The Wine Industry Statistics”, publicado pela WifiTalents.
Até mesmo como consumidoras da bebida, a proporcionalidade delas é expressiva: no Brasil, as mulheres representam 53% do mercado de vinhos, com crescimento contínuo desde 2019, transformando-se no público majoritário do setor no país, diz o relatório “IWSR Brazil Wine Landscapes 2025”.
Mas mesmo com a ampliação da participação feminina em todas as pontas da indústria vinícola, manter o incentivo da presença delas ainda se revela necessário, especialmente a respeito de liderança no campo, com atuação desde o planejamento do vinhedo e manejo das videiras até o escoamento da produção da safra.
Na prática, essa demanda por uma maior representatividade na vitivinicultura transcende a pauta da equidade de gênero. A diversidade e a inclusão têm se mostrado um vetor de inovação, qualidade e sustentabilidade, com o aumento das chances de soluções criativas e decisões mais robustas.
Veja a seguir como a Cooperativa Vinícola Aurora reforça o protagonismo das mulheres na vitivinicultura por meio de decisões e programas exclusivamente dedicados a elas.
Incentivo à presença feminina na Aurora
Incentivar a presença feminina é cada vez mais estratégico para o futuro do setor de vinhos e da própria Vinícola Aurora, explica Karine Fonseca, do setor de organização do quadro social da cooperativa.
Segundo ela, as mulheres sempre estiveram no campo, ajudando na produção, na organização da propriedade e na tomada de decisões da família, mesmo que muitas vezes sem o devido reconhecimento.
“Hoje, dar visibilidade e espaço a esse protagonismo significa fortalecer a sucessão familiar, profissionalizar ainda mais a gestão das propriedades e garantir a continuidade da vitivinicultura com um olhar mais diverso e sustentável”, analisa Karine.
A Aurora entende isso na prática e, por isso, desenvolve iniciativas específicas para apoiar e valorizar as mulheres cooperadas.
Destacadas nos canais institucionais da Aurora e em conteúdos sobre cooperativismo, essas iniciativas ajudam a ampliar a participação feminina nas decisões, aumentam a autonomia das mulheres no campo e fortalecem o vínculo delas com a cooperativa.
“No fim das contas, incentivar a presença feminina não é só uma questão de inclusão – é uma estratégia inteligente para inovar, qualificar a produção, cuidar melhor da terra e preparar a vitivinicultura para o futuro, sem perder as raízes familiares e cooperativistas”, ressalta.
Aurora Mulheres Empreendedoras, o programa de capacitação feminina
A cooperativa conta com um projeto voltado às mulheres empreendedoras no setor vitivinícola, o Programa AME (Aurora Mulheres Empreendedoras).
Criado em 2021, ele capacita cooperadas, esposas e filhas de viticultores na Serra Gaúcha, uma iniciativa que pretende fortalecer o protagonismo feminino e a diversificação de renda, promovidas por meio de capacitação, networking e apoio à gestão de negócios próprios.
“A ideia é que essas mulheres desenvolvam competências de liderança, gestão e empreendedorismo, qualificando-as para atuarem na condução de negócios, sejam eles de produtos, serviços, a gestão da propriedade rural ou a participação na cooperativa”, explica Karine Fonseca.
O impacto primordial do Aurora Mulheres Empreendedoras é promover o empoderamento, a autoestima e a autoconfiança das participantes, permitindo que as cooperadas saiam do anonimato e assumam papéis de destaque na gestão da propriedade familiar.
E quais são os desafios para as mulheres no campo?
Vanilse Aparecida Stuchi Possamai é um exemplo do poder transformador da Vinícola Aurora na vida das cooperadas, aliada com a potencialização da participação feminina na cooperativa.
Ela conta que sua trajetória na vitivinicultura começou de um jeito bem simples, “quase sem planejamento”, ao ir para Bento Gonçalves para trabalhar na colheita da uva, em um período intenso de safra, “para aproveitar a oportunidade de trabalho”.
“No começo era algo temporário, mas fui me envolvendo com a rotina do campo, entendendo melhor o processo, convivendo com as pessoas e percebi o quanto esse trabalho é forte, coletivo e cheio de significado”, recorda Vanilse.
Para além da colheita, Vanilse se viu encantada com o cuidado com o parreiral, o ritmo das estações, o esforço compartilhado e a sensação de ver o resultado final do trabalho transformado em vinho.
“Então resolvi ficar e seguir nesse setor, porque compreendi que a vitivinicultura não é só uma atividade econômica, é um modo de vida, passado de geração em geração, que cria laços muito fortes entre as pessoas”.
Ela conta que, como mulher, viu alguns desafios aparecerem ao longo do caminho, principalmente porque o trabalho no campo, especialmente na produção de uvas e vinhos, é um espaço majoritariamente masculino.
“Em alguns momentos, precisei provar que era capaz, mostrar que tinha disposição, força e conhecimento para estar ali, tanto quanto qualquer outra pessoa. Mas, aos poucos, fui conquistando meu espaço, muito pelo trabalho e pela dedicação do dia a dia”, explica Vanilse.
No fim, explica, ficar em Bento Gonçalves e seguir nesse setor foi uma escolha que nasceu do trabalho, mas que se transformou em pertencimento.
“Hoje, me sinto parte dessa história construída com esforço, união e muito amor pela terra e pelo vinho”, diz a cooperada.

Cooperativismo da Aurora e a contribuição para o desenvolvimento profissional
O apoio constante aos cooperados ao longo dos últimos anos por parte da Vinícola Aurora teve um papel muito importante no desenvolvimento profissional e no fortalecimento do negócio, declara Vanilse.
Segundo ela, a existência de orientação, troca de informações, assistência técnica, diálogo e uma preocupação real em ajudar o produtor a melhorar, se organizar e seguir evoluindo, mesmo em momentos mais difíceis, faz “a gente sentir que não está sozinho”, dando mais segurança para continuar acreditando na atividade.
“Esse apoio vai muito além da parte técnica ou financeira, está no incentivo, na escuta e na proximidade. Saber que a cooperativa acompanha o produtor, entende os desafios do campo e busca soluções conjuntas faz toda a diferença. Isso acaba refletindo diretamente no nosso crescimento profissional, porque a gente aprende mais, se atualiza e passa a enxergar o negócio com uma visão mais ampla, pensando não só no hoje, mas no futuro”, aponta.
Com relação às mulheres, continua ela, é “muito visível o quanto a Aurora vem evoluindo”. De acordo com Vanilse, hoje as mulheres estão muito mais presentes nos assuntos ligados à cooperativa, participando de reuniões, encontros, programas e espaços de decisão.
“Isso é extremamente importante para todos nós, porque traz novas ideias, diferentes pontos de vista e fortalece ainda mais o espírito cooperativista”, explica.
Para a produtora, as iniciativas voltadas ao apoio às mulheres ajudam a dar mais voz, confiança e reconhecimento para quem sempre esteve presente no campo, mas nem sempre foi vista.
“No dia a dia, isso gera mais engajamento, mais união entre as cooperadas e um sentimento de pertencimento maior. No longo prazo, esse movimento contribui diretamente para a sustentabilidade da atividade, porque envolve as famílias, prepara novas lideranças e garante que a vitivinicultura continue viva, forte e conectada com as próximas gerações”, garante.
Competência feminina: a diferença na qualidade e na gestão da produção
No campo, as mulheres fazem total diferença na qualidade e na gestão da produção.
“As mulheres estão totalmente qualificadas para enfrentar qualquer tipo de trabalho no vinhedo, assim como os homens, seja no manejo, na colheita ou nas decisões do dia a dia da propriedade. Isso, por si só, já fortalece muito o trabalho como um todo”, afirma Vanilse.
Entre as qualidades que colocam as mulheres como protagonistas na atividade vitivinícola estão a atenção aos detalhes, o cuidado com o parreiral e a organização das atividades, sendo que muitas vezes estão envolvidas não só na parte prática, mas também no planejamento, no controle, na administração e no acompanhamento de tudo o que acontece na propriedade.
“Esse olhar mais cuidadoso e responsável acaba refletindo diretamente na qualidade da uva e no resultado final da produção”, explica Vanilse.
Outro ponto destacado por ela é o comprometimento das mulheres, que ao conciliarem várias funções, dentro e fora da propriedade, isso faz com que desenvolvam muita responsabilidade, organização e capacidade de gestão.
“Elas também trazem mais diálogo, troca de experiências e união entre as pessoas, o que melhora o ambiente de trabalho e fortalece a cooperação. Quando homens e mulheres trabalham juntos no campo, cada um contribuindo com suas habilidades, o resultado é um trabalho mais completo, equilibrado e forte. Isso não só melhora a produção, como ajuda a garantir a continuidade da atividade no longo prazo, com mais qualidade, engajamento e sustentabilidade”, completa.
A participação feminina faz toda a diferença na produção da Aurora. Quer fazer parte dessa história também? Clique aqui e saiba como se tornar cooperado da Vinícola Aurora!


