A cooperação entre pessoas que compartilham desafios e objetivos em comum faz parte da rotina de famílias produtoras e está na essência do cooperativismo brasileiro, que está organizado em oito ramos: agropecuário, consumo, crédito, infraestrutura, produção de bens e serviços, saúde, seguros e transporte.
Até 2019, o cooperativismo brasileiro era dividido em 13 ramos, mas esta estrutura foi reorganizada pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) para sete após unificações e ressignificações. Atualmente, são oito ramos oficiais após o reconhecimento de seguros como uma outra categoria.
O propósito da mudança foi fortalecer a representação do sistema cooperativista no Brasil, promovendo maior uniformização, alinhamento de discurso e comunicação mais objetiva.
Responsável por reunir agricultores, viticultores e demais produtores rurais, o ramo agropecuário, um dos mais representativos dentro da organização cooperativista, é no qual está inserida a Cooperativa Vinícola Aurora.
Segundo dados do “Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026”, divulgados no fim de julho, as 1.254 cooperativas agropecuárias do país registraram, em 2025, R$ 487,3 bilhões em movimentação financeira, um crescimento de 11,2% em relação aos R$ 438,3 bilhões contabilizados no ano anterior.
A seguir, conheça os principais desafios do cooperativismo brasileiro e o papel do cooperativismo agropecuário.
Por que é importante existirem diferentes ramos dentro do cooperativismo?
A organização do cooperativismo em diferentes ramos permite que o modelo esteja presente em diversas áreas da economia e atenda a diferentes necessidades da sociedade.
“Cada ramo tem sua atuação específica, mas todos compartilham os mesmos princípios”, diz Darci Pedro Hartmann, presidente do Sistema Ocergs, entidade representativa do cooperativismo no Rio Grande do Sul.
Conheça mais sobre cada um dos ramos do cooperativismo:
- Agropecuário: reúne e organiza produtores rurais, oferecendo assistência técnica, apoio na industrialização e comercialização da produção;
- Consumo: realiza compras em comum de produtos ou serviços, garantindo melhores preços;
- Crédito: leva serviços financeiros para os seus cooperados, oferecendo um atendimento humanizado e proporcionando inclusão e educação financeira;
- Infraestrutura: fornece serviços essenciais como energia elétrica, telefonia e habitação;
- Produção de Bens e Serviços: prestam serviços especializados a terceiros ou à produção de bens, como coops de agentes ambientais, de professores, de minerais, etc;
- Saúde: cooperativas médicas, odontológicas e de todas as profissões classificadas no CNAE como atividades de atenção à saúde humana;
- Seguros: são criadas e administradas pelos seus cooperados, que se reúnem para compartilhar os riscos que enfrentam;
- Transporte: voltadas ao transporte de cargas ou de passageiros, incluindo serviços de entrega, transporte escolar e de turismo.
Darci Hartmann explica que um dos princípios do cooperativismo é a intercooperação: cooperativas e ramos diferentes trabalham em conjunto, criando oportunidades, fortalecendo cadeias produtivas e ampliando os benefícios gerados pelo movimento.
“Uma cooperativa agropecuária, por exemplo, pode se relacionar com cooperativas de crédito, transporte, saúde, infraestrutura e outros segmentos, formando uma rede que movimenta a economia local e regional.”
No Rio Grande do Sul, essa atuação integrada tem impacto significativo no desenvolvimento econômico e social.
De acordo com o documento “Expressão do Cooperativismo Gaúcho 2026”, divulgado recentemente pelo Sistema Ocergs, as cooperativas gaúchas respondem por 14% do Produto Interno Bruto (PIB), com faturamento superior a R$ 103 bilhões em 2025, alcançando mais de um terço da população gaúcha.
“O setor contribui para geração de empregos, distribuição de renda e para o desenvolvimento das comunidades onde as cooperativas estão inseridas”, afirma.
O setor agropecuário no cooperativismo
O ramo agro tem uma importância estratégica dentro do cooperativismo por sua conexão direta com uma das principais atividades econômicas do Brasil: a produção de alimentos e o agronegócio.
No Rio Grande do Sul, é a divisão com o maior número de cooperativas (94) e responde por R$ 52,3 bilhões do faturamento total do cooperativismo gaúcho, ou seja, mais da metade.
“Sua relevância vai além da produção rural. As cooperativas agropecuárias atuam em diferentes etapas da cadeia produtiva, oferecendo aos produtores acesso a insumos, assistência técnica, tecnologia, armazenagem, industrialização e canais de comercialização. Essa estrutura permite que produtores de diferentes portes tenham mais condições de competir no mercado e agregar valor à sua produção”, diz Hartmann.
O impacto também se reflete na geração de empregos e no desenvolvimento regional, já que as cooperativas movimentam uma ampla rede formada por produtores, trabalhadores, fornecedores e prestadores de serviços.
“No Brasil, o ramo agropecuário reúne mais de mil cooperativas e mais de um milhão de cooperados, conforme dados do Sistema OCB, demonstrando sua relevância econômica e social”, pontua o presidente da entidade máxima do cooperativismo gaúcho.
Pequeno produtor: os benefícios de participar de uma cooperativa agropecuária
Ao ingressar em uma cooperativa agro, o produtor passa a fazer parte de uma organização coletiva na qual ele também é dono do negócio.
Esse é um dos principais diferenciais do modelo cooperativista: os resultados gerados pela cooperativa retornam aos seus cooperados conforme as regras definidas coletivamente.
Mas Hartmann explica que isso vai além do aspecto econômico.
“O cooperado tem acesso a uma estrutura que muitas vezes seria difícil alcançar individualmente, como assistência técnica, capacitação, compra conjunta de insumos, acesso a mercados, novas tecnologias e apoio para melhorar a produtividade e a gestão da propriedade.”
Em momentos de maior dificuldade, como períodos de instabilidade econômica ou eventos climáticos extremos, a proximidade entre cooperativa e cooperado torna-se ainda mais relevante. A cooperativa atua como uma rede de suporte, ajudando o produtor a enfrentar desafios e buscar alternativas.
“O fortalecimento do cooperativismo também tem avançado por meio de políticas públicas e ações de representação conduzidas pelo Sistema Ocergs e pelo Sistema OCB, que trabalham para ampliar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das cooperativas e dos seus cooperados”, diz.
Desafios e oportunidades do cooperativismo agropecuário
O cooperativismo agropecuário enfrenta atualmente desafios relacionados principalmente ao cenário econômico e às mudanças climáticas.
No Rio Grande do Sul, os últimos anos foram marcados por eventos extremos, como períodos de estiagem, enchentes e impactos sobre diferentes cadeias produtivas, aumentando a necessidade de estratégias de adaptação e fortalecimento da resiliência no campo.
A renegociação de dívidas dos produtores rurais também está entre os principais temas da agenda atual, diante dos impactos acumulados sobre a renda e a capacidade de investimento.
Ao mesmo tempo, existem oportunidades importantes para o futuro do setor e que abrem novas possibilidades para as cooperativas e seus associados:
- Avanço tecnológico;
- Inovação;
- Agregação de valor aos produtos;
- Busca por práticas mais sustentáveis;
- Ampliação dos mercados consumidores.
Segundo Hartmann, o Sistema Ocergs tem atuado fortemente, por meio da promoção de eventos, da participação em feiras, da oferta de capacitações e de ações de marketing, no estímulo à competitividade das cooperativas gaúchas e no apoio à comercialização e exportação.
“O cooperativismo tem como diferencial justamente a capacidade de unir esforços para enfrentar desafios complexos. Ao trabalhar de forma coletiva, produtores conseguem construir soluções que fortalecem não apenas o negócio, mas também as comunidades onde estão estabelecidos”, ressalta.
Vinícola Aurora e a contribuição para o fortalecimento da vitivinicultura regional
O modelo cooperativo adotado pela Cooperativa Vinícola Aurora é um dos principais responsáveis pelo fortalecimento da vitivinicultura regional, aponta o presidente do Sistema Ocergs
Hartmann explica que o fortalecimento de cada produtor reflete diretamente no desenvolvimento de toda a cadeia produtiva.
Isso porque, ao reunir pequenos produtores em torno de objetivos comuns, a Aurora, desde sua fundação, em 1931, cria condições para ampliar a qualidade da produção, agregar valor aos produtos e alcançar resultados que dificilmente seriam obtidos de forma individual.
Hoje, a cooperativa reúne cerca de 1,1 mil famílias cooperadas, distribuídas em 11 municípios da Serra Gaúcha, que cultivam aproximadamente 3 mil hectares de vinhedos.
Esse modelo permite que pequenos agricultores familiares tenham acesso à estrutura, ao conhecimento e às oportunidades de mercado de uma das maiores cooperativas vinícolas do país, preservando a autonomia das propriedades e fortalecendo a economia regional.
Esse fortalecimento acontece em diferentes frentes, com a Aurora oferecendo:
- Assistência técnica permanente;
- Investimento em pesquisa, inovação e qualificação dos produtores;
- Incentivo à adoção de tecnologias e boas práticas agrícolas;
- Garantia de segurança na comercialização da produção.
“Isso proporciona mais estabilidade às famílias, melhora a qualidade das uvas e aumenta a competitividade da vitivinicultura da Serra Gaúcha como um todo”, continua Hartmann.
Outro aspecto importante é que o cooperativismo contribui para a preservação da agricultura familiar.
Em vez de concentrar a produção em grandes propriedades, a Aurora valoriza o trabalho das famílias rurais, incentiva a sucessão no campo e cria condições para que as novas gerações enxerguem na vitivinicultura uma atividade economicamente viável e sustentável.
“Dessa forma, preserva-se não apenas a produção, mas também a cultura, os conhecimentos e as tradições que fazem parte da identidade da região”, explica a liderança do cooperativismo no RS.
O impacto também se estende à economia local, e cada investimento realizado nas propriedades rurais gera reflexos positivos em toda a cadeia econômica da Serra Gaúcha.
“A atividade das famílias cooperadas movimenta diversos setores, gera empregos diretos e indiretos, fortalece o comércio, impulsiona o turismo e contribui para o desenvolvimento dos municípios onde a cooperativa atua”, indica.
O modelo cooperativo permite que a Aurora transforme a produção de milhares de pequenos vinhedos em produtos reconhecidos nacional e internacionalmente, conseguindo assim agregar valor à produção regional, ampliar mercados para os cooperados e fortalecer a imagem da vitivinicultura brasileira.
“Em síntese, o cooperativismo é o elo que conecta tradição, inovação e desenvolvimento. Ao unir pessoas em torno de um objetivo comum, a Aurora fortalece não apenas sua própria competitividade, mas toda a vitivinicultura regional, demonstrando que o crescimento sustentável acontece quando os resultados são compartilhados e o desenvolvimento alcança as famílias, as comunidades e toda a região”, acrescenta Hartmann.
Ao escolher um produto da Aurora, o consumidor fortalece um modelo de negócio baseado na cooperação, que gera oportunidades para famílias produtoras da Serra Gaúcha. Acesse o site e conheça mais sobre a história cooperativa da Aurora.


