O cooperativismo faz parte da rotina de diversas famílias que se dedicam aos vinhedos na Serra Gaúcha. Ele é um modelo de negócios baseado na participação coletiva, resultados e desenvolvimento social, com princípios que orientam a forma como as cooperativas são organizadas.
A forma moderna do cooperativismo surgiu em 1844, durante a Revolução Industrial, quando um grupo de tecelões de Rochdale, na Inglaterra, enfrentava condições difíceis de trabalho e decidiram fundar a Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale, considerada a primeira cooperativa de sucesso no mundo.
Desde então, o modelo se espalhou pelo mundo e chegou até o Brasil. Segundo dados do “Anuário Coop” da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o país contava até 2024 com mais de 4,3 mil cooperativas registradas.
Ao todo, 7 princípios servem como base de orientação para atuação das cooperativas: adesão voluntária e livre; gestão democrática; participação econômica dos membros; autonomia e independência; educação e formação; intercooperação e interesse pela comunidade.
A responsável pelo quadro social da Vinícola Aurora, Karine Fonseca, explicou como cada um dos princípios é incorporado dentro da cooperativa. Entenda como eles funcionam a seguir.
A importância dos princípios para o fortalecimento da cooperativa
Os princípios cooperativistas ajudam a transformar valores em práticas de gestão. Eles estabelecem diretrizes para a participação dos membros, a tomada de decisões, a utilização dos recursos e o relacionamento da cooperativa com outras organizações e com a sociedade.
Na prática, são esses princípios que ajudam a preservar as características do modelo cooperativista ao longo do tempo. Uma cooperativa pode crescer, investir em tecnologia, ampliar sua presença regional e adotar novas estratégias de negócios sem deixar de lado sua essência.
Na Vinícola Aurora, por exemplo, esses valores permitem que pequenos produtores rurais tenham acesso a oportunidades que, muitas vezes, seriam difíceis de alcançar individualmente.
Ao unir a produção de cerca de 1.100 famílias cooperadas, a Aurora ganha escala e fortalece sua capacidade de negociação, enquanto os cooperados contam com assistência técnica especializada, segurança na comercialização e acesso a programas de capacitação.
“O impacto vai além dos resultados financeiros. No aspecto social, o cooperativismo fortalece o sentimento de pertencimento e incentiva a participação ativa dos cooperados na construção da cooperativa. A gestão democrática garante que todos tenham voz nas decisões, enquanto iniciativas voltadas à educação, à formação de lideranças, à sucessão familiar, ao protagonismo feminino e ao desenvolvimento dos jovens ajudam a preparar as novas gerações para dar continuidade à atividade no campo”, afirmou Karine.
Os 7 princípios do cooperativismo
Embora cada ramo tenha características e necessidades específicas, as organizações cooperativistas compartilham uma base comum: os princípios. Conheça cada um deles a seguir.
1 – Adesão livre e voluntária
Esse conceito estabelece que qualquer pessoa pode se tornar um cooperado, independentemente de sua origem, gênero, raça, religião ou condição econômica. A cooperativa é aberta a todos que compartilham dos mesmos valores e desejam colher os benefícios da colaboração mútua.
Na Vinícola Aurora, o primeiro princípio é refletido na possibilidade de produtores rurais que atendam aos critérios da cooperativa se tornarem associados, integrando um sistema baseado na participação e no compromisso coletivo.
2 – Gestão democrática
O segundo princípio destaca a importância da gestão democrática, que é vivenciada diariamente por meio da participação dos cooperados da Aurora nas Assembleias Gerais.
“Cada associado tem direito a um voto, independentemente do tamanho da propriedade ou do volume de produção. Além disso, os próprios cooperados elegem os membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal, que são formados 100% por cooperados, garantindo que as decisões estratégicas representem os interesses do coletivo”, explicou Karine.
3 – Participação econômica
A participação econômica, na prática, significa que os cooperados contribuem equitativamente para o capital social da cooperativa, ou seja, compartilham os resultados do negócio.
Na Aurora, essa contribuição ressalta o sentimento de que os cooperados são os verdadeiros donos do negócio.
“As sobras apuradas ao final de cada exercício podem ser distribuídas conforme deliberação em Assembleia, além de retornarem em forma de investimentos, assistência técnica, infraestrutura e desenvolvimento para as propriedades”, completou Karine.
4 – Autonomia e independência
A autonomia e a independência são princípios que garantem que a cooperativa mantenha sua liberdade de ação, sendo controlada pelos seus membros.
Isso garante que a Vinícola Aurora mantenha sua gestão alinhada aos interesses dos cooperados, preservando o modelo cooperativista mesmo diante das transformações do mercado.
5 – Educação, formação e informação

O quinto princípio estabelece que as cooperativas devem promover a educação e a formação dos seus membros, dos representantes eleitos e dos trabalhadores, de forma que estes possam contribuir, eficazmente, para o desenvolvimento das suas cooperativas.
Para Karine Fonseca, esse é um dos aspectos mais importantes e valorizados na Vinícola Aurora, já que mudanças climáticas, evolução das tecnologias e novas exigências dos consumidores fazem com que o conhecimento seja um dos principais ativos para o futuro da cooperativa.
“Além da assistência técnica permanente nas propriedades, a Aurora realiza cursos, palestras, dias de campo e programas de formação que abordam desde boas práticas agrícolas até temas como gestão, governança, sucessão familiar e liderança. Também incentivamos a participação de mulheres e jovens por meio de iniciativas como o Programa AME, o Comitê Elas Pelo Coop e programas voltados às novas gerações, fortalecendo o protagonismo desses públicos dentro do cooperativismo”, afirmou a responsável pelo quadro social.
6 – Intercooperação
A intercooperação ressalta a importância da colaboração com outras cooperativas. Esse princípio faz parte da rotina da Aurora, com a vinícola mantendo parcerias com outras cooperativas, instituições de ensino, entidades de pesquisa e organizações do Sistema Ocergs e do Sistema OCB.
Essa integração promove o compartilhamento de conhecimentos e o desenvolvimento de projetos que fortalecem o cooperativismo como um todo.
7 – Interesse da comunidade
Por último, mas não menos importante, o sétimo princípio destaca o compromisso com o interesse da comunidade, que se traduz em diversas ações sociais e educacionais promovidas pela Vinícola Aurora.
“A Festa Julina Beneficente, realizada em parceria com outras cooperativas e entidades assistenciais de Bento Gonçalves, é um exemplo de como a Aurora transforma os valores cooperativistas em benefício para a sociedade. Da mesma forma, projetos de educação cooperativista, incentivo à agricultura familiar, programas para mulheres e jovens e ações de desenvolvimento regional demonstram que o compromisso da cooperativa vai além da produção de vinhos”, comentou Karine.
A força do cooperativismo na Vinícola Aurora
O modelo cooperativista é um dos maiores diferenciais competitivos da Cooperativa Vinícola Aurora e um dos principais fatores que explicam sua trajetória de mais de 95 anos de sucesso.
Mais do que um modelo de gestão, ele é uma forma de organizar pessoas em torno de um propósito comum: gerar valor para todos, promovendo desenvolvimento econômico, social e sustentável a longo prazo.
Para os cooperados, o principal benefício é fazer parte de uma organização da qual eles próprios são donos. Isso significa contar com segurança na comercialização da produção, assistência técnica especializada, acesso à inovação, programas de capacitação, incentivo à modernização das propriedades e participação nos resultados da cooperativa.
Já para os consumidores, o modelo cooperativista representa confiança, qualidade e propósito.
“Cada vinho, espumante ou suco da Aurora carrega a história e o trabalho de centenas de famílias agricultoras que cultivam suas uvas com dedicação e respeito à terra. Essa proximidade entre produtor e cooperativa permite um controle rigoroso da qualidade da matéria-prima, rastreabilidade da produção e um compromisso permanente com práticas sustentáveis e com a valorização da agricultura familiar”, afirmou Karine.
Ao escolher um produto da Aurora, o consumidor também contribui para fortalecer a agricultura familiar, impulsionar o desenvolvimento das comunidades rurais e preservar uma tradição que faz parte da história da vitivinicultura brasileira. Conheça mais sobre a história cooperativa da Aurora no site.


