Antes de chegar à taça, com aquela cor viva e aquele sabor de dar água na boca, o vinho começa com escolhas cuidadosas no campo. É nesse ponto de partida que o Centro Tecnológico de Viticultura (CTV), da Cooperativa Vinícola Aurora, assume seu papel como referência em inovação para a uva no Brasil, conduzindo pesquisas práticas que unem resistência varietal, sustentabilidade e respeito aos ciclos da natureza.
Essa dedicação técnica de apoio ao trabalho no campo reflete diretamente na rotina dos cooperados, que recebem suporte para aplicar novas técnicas em seus vinhedos, com o objetivo de unir alta produtividade, qualidade e sustentabilidade, garantindo que o cuidado com o solo resulte em excelência na produção.
O conhecimento transforma a viticultura nacional e eleva o padrão dos vinhos e sucos brasileiros, em um setor que, segundo dados do Comex Stat, encerrou 2025 com um faturamento de US$ 13,3 milhões em exportações.
Para explicar melhor como funciona o Centro Tecnológico de Viticultura, convidamos o nosso engenheiro-agrônomo Maurício Bonafé, gerente agrícola na Cooperativa Vinícola Aurora, que detalhou o CTV e trouxe mais informações sobre o dia a dia no campo. Confira!
O que é o Centro Tecnológico de Viticultura (CTV)?
O CTV nasceu para ser um centro de inovação. Localizado na Serra Gaúcha, em um ponto estratégico para a viticultura no Brasil, o centro funciona como um laboratório a céu aberto. Ali, o trabalho em conjunto entre especialistas e produtores garante que a cadeia produtiva da uva alcance novos patamares de qualidade.
Essa trajetória de excelência começou há décadas. Segundo Maurício Bonafé, o CTV foi idealizado pela Vinícola Aurora para responder aos desafios do mercado desde o início.”O centro de viticultura surgiu então nos anos 1970 com o intuito de buscar entender melhor sobre algumas necessidades e tendências daquela época”, começa contando.
“Ele surgiu com a intenção de pesquisar o cultivo e manejo de videiras, principalmente das castas viníferas, em que foram feitos os trabalhos de importação de mudas e validação de cultivo para depois poder ser distribuída para o associado”, completa.
Além das variedades, a estrutura de suporte das plantas também foi alvo de estudos rigorosos. Bonafé explica que as formas de condução, como a espaldeira e a latada, foram testadas para encontrar o equilíbrio ideal de manejo.
“Com isso, foi possível compreender melhor como realizar o manejo adequado, de modo a garantir uma produção que atenda às demandas do produtor em termos de quantidade e qualidade, sem deixar de contemplar as exigências da indústria quanto à qualidade da matéria-prima”, conta.
Para que toda essa ciência não fique restrita aos campos experimentais, o CTV estabeleceu um fluxo rigoroso de transferência de conhecimento. Segundo Bonafé, o processo começa internamente para depois ganhar o campo.
“No primeiro momento, a gente faz os trabalhos técnicos dentro da área produtiva, onde os nossos técnicos agrônomos são capacitados perante o resultado que acontece na área experimental. Os técnicos têm a incumbência de levar essa informação depois ao nosso quadro de produtores”, afirma.
Essa ponte humana é o que garante a precisão no campo. Bonafé destaca que o CTV é a base para a segurança do profissional que atende o produtor: “Hoje, o agrônomo consegue ter essa abrangência, essa profundidade junto ao cooperado e o centro de viticultura serve muito para dar embasamento técnico, de pesquisa, enfim, para poder o agrônomo ser mais assertivo na tomada de decisão junto ao nosso quadro social”.
Além da consultoria individual, o centro utiliza estratégias como os “dias de campo” para difundir as descobertas, embora o foco principal continue sendo a multiplicação do saber via técnicos, dado o grande volume de produtores.
“São realizados alguns dias de campo, mas abrangendo menos pessoas. O quadro social é grande e conseguimos passar o conhecimento ao nosso técnico, e ele consegue ter mais profundidade junto aos seus cooperados para poder repassar as informações técnicas”, pontua.
O centro atende quem vive o dia a dia da viticultura:
- Cooperados de vinícolas;
- Pequenos produtores;
- Área técnica da Cooperativa.
A estrutura conta com diversos trabalhos, desde testes com novas variedades ao uso de equipamentos modernos para monitoramento climáticos que permite um controle rigoroso da produção, e todo esse aparato tecnológico busca a eficiência energética operacional, transformando dados em colheitas melhores.
Pesquisa e inovação: o desenvolvimento de novas técnicas no Brasil
No CTV, a pesquisa em viticultura tem como foco principal testar novas variedades de uvas que sejam, ao mesmo tempo, resistentes e altamente produtivas.
As equipes de diversas áreas trabalham juntas para testar híbridos que equilibram o sabor que o mercado busca com a robustez que o solo brasileiro exige. Se nos anos 1970 o objetivo era entender as tendências da época, atualmente, a pesquisa foca em antecipar o futuro do campo.
“Hoje, estamos trabalhando muito fortemente com novas tecnologias, novas tendências, novas demandas que o mercado vem buscando e isso acaba fazendo com que a gente seja cada vez mais eficiente. […] Estamos caminhando sempre em busca de melhoria contínua nessa parte das demandas e conseguindo atender as demandas que vêm tanto do consumidor quanto também do nosso cooperado”, fala Maurício.
Segundo o engenheiro-agrônomo, é justamente no Centro Tecnológico de Viticultura que essas demandas são atendidas. O CTV é fundamental para responder às novas questões do setor, realizar testes que garantam maior assertividade e economia e buscar alternativas que assegurem o cumprimento das normas ambientais.
Sustentabilidade: o compromisso com o futuro
No CTV, assim como em toda a Cooperativa Vinícola Aurora, a sustentabilidade é um dos pilares fundamentais. O equilíbrio entre colher bem e cuidar do meio ambiente é o que guia as ações do centro, atendendo ao que o mercado de vinhos espera hoje em dia.
Ainda, Maurício Bonafé reforça que a inovação tecnológica nunca caminha sozinha, visto que ela precisa estar alinhada com a ética ambiental.
“Sempre é uma demanda muito forte quando a gente fala na questão de equilíbrio à inovação, mas também ser socioambientalmente correto perante a demanda que vem do próprio consumidor”, ressalta.
Essa visão integrada é o que permite ao centro enfrentar desafios globais. Bonafé reforça, mais uma vez, que o olhar do CTV abrange toda a cadeia, partindo das necessidades de quem produz e de quem consome
Para ele, a responsabilidade socioambiental é o que valida o processo. “Observamos as pessoas e o meio ambiente para que o consumidor entenda que estamos preocupados com todo esse processo, e não apenas olhando para um lado da produção, mas sim para todos os dados da cadeia produtiva”.
Essas escolhas protegem a terra e, de quebra, valorizam o produto final aos olhos de quem consome com consciência.
Casos de sucesso: da adaptação histórica à tecnologia de ponta
O impacto do Centro de Tecnologia Vitícola é visível nas videiras brasileiras da Vinícola Aurora, unindo a experiência do passado com o que há de mais moderno hoje.
E a viticultura na Serra Gaúcha tem um divisor de águas claro: as décadas de 1970 e 1980. Foi nesse período que a implantação de variedades europeias em Pinto Bandeira mudou o patamar da região. “As melhores variedades que mais se adaptaram à nossa realidade aqui da região da Serra Gaúcha foram as que foram difundidas junto ao quadro social“, explica Maurício Bonafé.
Essa etapa foi fundamental para que o produtor tivesse segurança. Com testes prévios de clima e demanda de mercado, o risco diminuiu e a assertividade aumentou.
Resiliência e Eficiência Operacional
Mas como o setor se prepara para os desafios atuais? Hoje, o sucesso depende de inovação constante. O foco está no desenvolvimento de variedades resistentes e na preparação dos vinhedos para a colheita mecânica.
A tecnologia de precisão também já faz parte da rotina. Em uma área experimental de 15 hectares, o centro valida cada técnica antes de recomendá-la ao produtor. Maurício detalha como isso funciona na prática.
“Trabalhamos com drone, por exemplo, para a redução do volume de calda e necessidade de água, buscando ser mais efetivo na aplicação. Também testamos coberturas de solo para retenção de água e para evitar a erosão e a perda da camada fértil em casos de enxurrada”, conta.
Essas soluções buscam um equilíbrio essencial, que é aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, proteger os recursos naturais.
Vinícola Aurora: olhar estratégico e tendências de consumo
Como uma cooperativa se mantém competitiva em um mercado que muda o tempo todo? Para a Vinícola Aurora, o segredo está no CTV (Centro de Tecnologia Vitícola). Afinal, a pesquisa permite ir sempre além.
O papel do centro tecnológico é transformar dúvidas em protocolos seguros para os cooperados. A inovação a partir do CTV é uma busca prática por melhoria contínua. Maurício Bonafé explica a importância desse processo.
“O centro de tecnologia é utilizado justamente para atender essas demandas onde a gente tem dúvidas ou receios de aplicação a nível de campo. Fazemos esses testes para buscar ser mais assertivo, garantir economia e o atendimento às normas ambientais que o produtor precisa estar atento”, finaliza. Continue por dentro das novidades e das melhores práticas do mundo da viticultura. Siga navegando pelo nosso blog!


