Outro dia, no supermercado, uma pessoa comentou com a outra que estava difícil manter a despensa cheia. A conversa logo virou sobre como seria mais fácil se comprassem em grupo, direto do produtor, dividindo o custo. Fiquei ali ouvindo e pensando que, no fundo, esse tipo de conversa simples revela algo que já vivemos sem nomear: a cooperação.
Cooperação é quando as pessoas se juntam para resolver algo que, sozinhas, seria mais difícil. É quando há troca, escuta, esforço coletivo. Pode estar numa vaquinha para ajudar alguém ou num grupo de pais que se revezam para levar os filhos à escola. A cooperação acontece toda vez que entendemos que cuidar uns dos outros é melhor do que seguir cada um por si.
Quando essa prática ganha corpo, valores e princípios que a sustentam, estamos falando de cooperativismo. O cooperativismo é uma teoria econômica e também um modo de vida. É uma forma de organizar a produção e a sociedade colocando as pessoas no centro. Ele se fundamenta em valores como a autoajuda, a autorresponsabilidade, a democracia, a igualdade, a equidade e a solidariedade. Também se apoia em valores éticos como a honestidade, a transparência, a responsabilidade social e o cuidado com o outro.
O cooperativismo parte da ideia de que o desenvolvimento não deve ser privilégio de poucos, mas construção coletiva. Ele não rejeita o econômico, mas o subordina ao social. Propõe um modelo no qual as pessoas se unem não apenas para gerar renda, mas para transformar realidades.
A cooperativa é a expressão prática desse pensamento. Mas é importante lembrar: estar registrada como cooperativa não garante que uma organização atue de forma cooperativista. É o alinhamento aos princípios do cooperativismo que torna uma cooperativa de fato. Esses princípios orientam a gestão, a tomada de decisão e a relação com os associados e com a comunidade. São eles que garantem que a cooperativa não se perca no caminho e mantenha viva sua identidade.
Por fim, temos o cooperativista. Significa ir além de estar associado. É um compromisso com a construção de um futuro coletivo. É agir com base nos valores do cooperativismo, participar, contribuir e compreender que o bem individual se fortalece no bem comum.
Aquela conversa no mercado talvez tenha ficado só na ideia. Mas poderia ter sido o início de algo maior. Quem sabe de uma cooperativa? Quem sabe a construção de um ideal que movimenta pessoa no mundo todo? Porque muitas transformações começam assim: com uma necessidade comum, uma boa conversa e a decisão de fazer juntos.
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Sobre Deivid Ilecki Forgiarini

Deivid Ilecki Forgiarini é especialista em Identidade Cooperativista e Gestão, dedicado a tornar os conceitos do cooperativismo mais acessíveis e a aproximar pessoas. Com uma visão prática e linguagem simples, defende que as boas ideias só têm real valor quando contribuem para o desenvolvimento sustentável. Enxerga no cooperativismo uma poderosa ferramenta de transformação social e fortalecimento das comunidades. Atualmente, atua como professor na Universidade Federal do Acre e coordena o Mestrado Profissional em Administração Pública, após uma sólida experiência como coordenador da graduação na Escoop – SESCOOP/RS.
E-mail: deividforgiarini@gmail.com
Telefone: (51) 98686-4780


