As cooperativas agropecuárias movimentaram R$ 487,3 bilhões em 2025, de acordo com dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
A publicação revela ainda que o segmento reuniu 1.254 entidades, 1.132.303 cooperados e gerou 277.226 empregos diretos no país.
Esse volume expressivo ajuda a dimensionar o peso do setor no agro nacional. No caso da Cooperativa Vinícola Aurora, os indicadores da própria instituição desenham um modelo erguido sobre a agricultura familiar: são cerca de 1,1 mil famílias associadas, 3 mil hectares cultivados em 11 municípios da Serra Gaúcha e 71,6 milhões de quilos de uva colhidos na safra de 2025.
Colocados lado a lado, os dados do anuário e os da Aurora tornam o cenário mais claro. Enquanto a atuação conjunta demonstra força em escala nacional, a vinícola ilustra como essa grande dimensão se traduz no território, na produção diária e no trabalho de quem vive do campo.
O peso econômico das cooperativas agropecuárias
Do total de recursos que ingressaram no cooperativismo brasileiro em 2025, 57,4% se concentraram nas cooperativas agropecuárias, segundo o AnuárioCoop 2026.
O Sistema OCB detalha que esses R$ 487,3 bilhões representam uma alta de 11,2% em comparação ao ano anterior. Esse desempenho confirma o protagonismo desse segmento na economia cooperativa.
Ao integrar etapas como produção, industrialização, armazenagem, assistência técnica e comercialização em uma única estrutura, o modelo expande o poder de organização do produtor e fortalece a presença do setor nos mercados em que opera.
O que revelam os números
Ao analisar o recorte do anuário, constata-se que a estrutura acumulou:
- R$ 340 bilhões em ativos;
- R$ 29,25 bilhões em sobras;
R$ 23,3 bilhões em capital social.
A base de dados do Sistema OCB aponta, adicionalmente, um universo de 1.132.303 cooperados e 277.226 funcionários diretos.
Esses indicadores explicam a relevância contínua que as cooperativas agropecuárias mantêm para a economia do país, demonstrando uma capacidade para gerar resultados, sustentar postos de trabalho e manter a produção pulverizada por diferentes regiões do Brasil.
A realidade na Vinícola Aurora
Fundada em 1931 a partir da união de 16 famílias em Bento Gonçalves, a Vinícola Aurora conta hoje com aproximadamente 1,1 mil famílias cooperadas.
A produção é desenvolvida em pequenas propriedades distribuídas por 11 municípios gaúchos: Bento Gonçalves, Veranópolis, São Valentim do Sul, Guaporé, Cotiporã, Monte Belo do Sul, Santa Tereza, Pinto Bandeira, Vila Flores, Farroupilha e Garibaldi.
Na Aurora, a organização coletiva vai além da teoria. A cooperativa trabalha com 56 variedades de uvas e recebeu 71,6 milhões de quilos na safra de 2025.
Historicamente, a marca destaca que responde pelo processamento de 10% a 15% da safra de uvas do Rio Grande do Sul.
Da uva ao mercado

A operação da Vinícola Aurora combina a produção do campo com estrutura industrial e comercialização em larga escala.
Dessa forma, a uva entregue pelos associados entra em um ciclo que engloba suporte técnico, processamento e acesso ao mercado, refletindo diretamente na sustentabilidade das propriedades familiares e na valorização da produção.
Em paralelo, a vinícola tem direcionado esforços para as áreas de Boas Práticas Agrícolas (BPA), com início em abril de 2023, promovendo treinamentos, orientações e inspeções contínuas junto aos 1,1 mil viticultores associados na Serra Gaúcha, além de ações em compliance e ESG (do termo em inglês Environmental, Social and Governance que em português significa Ambiental, Social e Governança).
Quando a escala se reflete no território
A presença demonstrada pelas cooperativas agropecuárias se estende por todo o território nacional, com ampliação constante de mercado e resultados, conforme o documento do Sistema OCB.
O relatório reafirma que o segmento permanece como o principal empregador do cooperativismo brasileiro e responde por mais da metade dos ingressos do movimento.
Na Aurora, essa estrutura reflete-se na infraestrutura física e na capacidade operacional: a cooperativa conta com três parques industriais em Bento Gonçalves, uma unidade de recepção de uvas em Pinto Bandeira, 550 funcionários, capacidade de processar até 3 milhões de quilos de uva por dia e tanques para armazenar 92 milhões de litros.
Mudanças no dia a dia do cooperado
Para quem está no campo, o impacto aparece nas tarefas rotineiras. A Aurora vem expandindo o processo mecanizado. Até 2027, a movimentação de uva na Aurora, no carregamento e no descarregamento, passará a ser totalmente realizada por meio de bins, que são grandes caixas plásticas de alta resistência com capacidade de até 500 quilos, transportadas por empilhadeiras.
A adoção desse manuseio mecanizado alivia o esforço físico na época da safra e reduz a necessidade de contratação de mão de obra.
A Vinícola Aurora também viabiliza financiamento para aquisição dos equipamentos com taxas de juros equivalentes às do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
A medida alivia o desgaste físico durante a safra, otimiza a logística de colheita e faz diferença direta na produtividade e no incentivo para que as famílias permaneçam na atividade rural.

Dinamização da renda regional
O impacto econômico promovido pelas cooperativas agropecuárias transborda para as cidades do entorno. O anuário do Sistema OCB associa a presença dessas entidades a incrementos locais de:
- R$ 5,1 mil no PIB por habitante;
- 28,4 empregos formais para cada 10 mil moradores;
- 14,8 novos estabelecimentos comerciais por mil habitantes;
- US$ 344,4 por habitante em exportações.
Esse vínculo com a região fica evidente nos números da Aurora. A cooperativa reportou um faturamento de R$ 874 milhões em 2025, com a comercialização de 74 milhões de litros no período e a exportação de 1,3 milhão de litros de vinhos, espumantes e sucos de uva para 15 países, sendo China, Paraguai e Gana os principais compradores. O suco de uva representou 51% do total exportado.
O legado na comunidade
Quando a produção progride, os ganhos ultrapassam o balanço financeiro da instituição. O valor gerado movimenta o orçamento das famílias produtoras, impulsiona o setor industrial, movimenta o comércio e estimula os serviços ao redor da cadeia vitivinícola.
É nesse ponto que as estatísticas nacionais e os dados da Aurora convergem: o ecossistema das cooperativas agropecuárias evidencia o poder da ação coletiva em grande escala, enquanto a vinícola exemplifica como essa força se transforma em trabalho, produtos e desenvolvimento econômico para a sua região.
O avanço das cooperativas no campo demonstra que é possível crescer aliando escala, planejamento e participação conjunta.
No modelo da Vinícola Aurora, os dados confirmam a trajetória de um empreendimento que surgiu da agricultura familiar, consolidou-se por meio da gestão compartilhada e permanece fortemente ancorado nas famílias que cultivam as videiras na Serra Gaúcha.
Para entender mais sobre esse modelo e acompanhar o trabalho das famílias que dão origem aos vinhos, espumantes e sucos da marca, continue navegando pelo site da Vinícola Aurora e confira os detalhes dessa trajetória.


