Trabalhadores realizam a colheita de uvas em um vinhedo, entre fileiras de videiras.

Como o negócio cooperativista transforma a vida de quem produz uva na Serra Gaúcha 

Descubra como o negócio cooperativista funciona na prática e por que ele beneficia mais de mil famílias de produtores na Serra Gaúcha....

Quando você compra uma garrafa de vinho, talvez não imagine que o modelo de negócio por trás daquele rótulo faz toda a diferença para quem produz a uva. A palavra-chave aqui é negócio cooperativista. Uma cooperativa coloca as decisões e os lucros nas mãos de quem planta, cuida e colhe.

Na Vinícola Aurora, por exemplo, cada garrafa carrega a história de mais de mil famílias que dividem resultados, escolhem juntas os rumos do negócio e mantêm vivas as propriedades rurais na Serra Gaúcha. Entender essa diferença muda o modo como enxergamos o vinho que chega à nossa mesa.

Quer saber o que separa esses dois mundos e por que o cooperativismo impacta diretamente a agricultura familiar? Continue a leitura e descubra os bastidores de um modelo que une tradição, inovação e partilha.

Negócio cooperativista: gestão democrática e benefícios compartilhados

A principal distinção entre um negócio cooperativista e uma empresa tradicional está no propósito. Empresas mercantis existem para maximizar o retorno financeiro de acionistas ou proprietários. Cooperativas, por outro lado, nascem para atender às necessidades de seus associados, que são ao mesmo tempo donos e beneficiários do negócio.

Darci Pedro Hartmann, presidente do Sistema Ocergs (Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul), resume bem essa lógica. “O cooperativismo é um modelo de negócios que permite competir juntos sem deixar de empreender individualmente. Ao reunir pessoas com interesses em comum, a cooperativa gera escala, amplia oportunidades comerciais, fortalece marcas, investe em inovação e cria condições para que cada cooperado alcance resultados que dificilmente conseguiria sozinho. É uma empresa que cresce quando seus cooperados crescem”.

Essa estrutura gera consequências diretas na rotina de quem produz. Enquanto em uma empresa tradicional o poder de voto é proporcional ao capital investido, nas cooperativas vigora o princípio “um associado, um voto”. A gestão democrática permite que decisões estratégicas passem pelas assembleias, onde cada associado tem voz igualitária, independentemente do tamanho da propriedade ou do volume entregue.

Decisões coletivas que impactam a qualidade do produto

Trabalhador transporta uma caixa cheia de uvas tintas em um trator entre as videiras.
Imagem Ilustrativa | Foto: Divulgação

A participação dos cooperados influencia diretamente aspectos técnicos da produção. Temas como qualidade da uva, manejo dos vinhedos, rastreabilidade, sustentabilidade e critérios de remuneração são discutidos em conselhos e assembleias. “Essa participação contribui para que as diretrizes produtivas não sejam apenas apresentadas aos agricultores, mas construídas com o envolvimento daqueles que serão diretamente responsáveis por sua aplicação”, explica Hartmann.

Na Aurora, fundada em 14 de fevereiro de 1931 por 16 famílias de Bento Gonçalves, esse modelo permitiu que a cooperativa se tornasse a maior vinícola do Brasil, reunindo hoje cerca de 1.091 famílias cooperadas em 3 mil hectares distribuídos por 11 municípios da Serra Gaúcha. Na safra de 2025, a cooperativa recebeu aproximadamente 93 milhões de quilos de uva, produzidos por seus associados.

Distribuição de resultados no modelo cooperativista

No negócio cooperativista, o retorno econômico não se limita à distribuição de sobras ao final do exercício. Ele ocorre ao longo de todo o ano, por meio da comercialização da produção, da assistência técnica, da capacitação e do acesso coletivo a tecnologias, serviços e melhores condições produtivas.

Hartmann detalha os benefícios diretos que os cooperados da Aurora recebem. “Entre os principais estão: acesso a canais estruturados de comercialização, maior previsibilidade para o escoamento da uva, políticas de remuneração relacionadas ao volume e à qualidade da produção, assistência técnica especializada, capacitações, acesso coletivo a tecnologias e serviços, redução de custos e melhoria das condições de produção”.

Serviços de apoio que transformam a rotina do produtor

A Aurora mantém uma estrutura de apoio aos produtores durante diferentes etapas do ciclo produtivo. Entre os principais serviços estão assistência técnica agrícola, orientação sobre o manejo dos vinhedos, acompanhamento da produtividade e da qualidade da uva, capacitações técnicas, gerenciais e sobre cooperativismo, apoio à adoção de tecnologias, orientação sobre práticas sustentáveis e iniciativas relacionadas à sucessão familiar.

“Na prática, essa estrutura permite que pequenos produtores tenham acesso a conhecimentos, tecnologias e serviços especializados que, individualmente, poderiam representar um custo elevado ou ser de difícil acesso”, afirma Hartmann. 

O acompanhamento também contribui para melhorar a qualidade da produção, antecipar problemas nos vinhedos e aproximar as práticas adotadas nas propriedades das exigências dos mercados atendidos pela cooperativa.

A cooperativa processa entre 10% e 15% da safra de uvas do Rio Grande do Sul. Em 2025, movimentou mais de R$ 700 milhões em sua atividade econômica, contribuindo para a geração de renda e para a circulação de recursos nos municípios em que está presente.

Sustentabilidade e desenvolvimento local no cooperativismo vitivinícola

Trabalhadores colhem cachos de uvas tintas em um vinhedo, utilizando cestos e caixas para armazenar os frutos.
Trabalhadores no Vinhedo | Foto: Alba Arte

O negócio cooperativista fortalece a agricultura familiar e promove um crescimento mais sustentável e compartilhado. A atuação da Aurora está diretamente relacionada à economia dos municípios da Serra Gaúcha. A cooperativa reúne 1.091 cooperados e gera 575 empregos diretos, além dos postos de trabalho indiretos associados à sua cadeia produtiva.

Ao organizar a produção e a comercialização da uva, a cooperativa contribui para geração de renda no meio rural, permanência das famílias no campo, continuidade das propriedades familiares, fortalecimento da vitivinicultura regional, circulação de recursos no comércio e nos serviços locais e formação de novas lideranças cooperativistas.

Entre as iniciativas desenvolvidas pela Aurora estão os programas de formação para integrantes e futuros integrantes dos conselhos de Administração e Fiscal. A Trilha AME — Empreender com Propósito, destinada às mulheres vinculadas às famílias cooperadas, busca estimular a autonomia, o empreendedorismo, a geração de renda e a participação feminina no desenvolvimento das propriedades e das comunidades. 

A cooperativa, segundo Hartmann, também realiza capacitações destinadas a mulheres, jovens e demais cooperados, abordando temas como governança, planejamento estratégico, sustentabilidade, finanças, gestão de riscos e responsabilidades dos administradores.

“Esses projetos demonstram que a sustentabilidade da agricultura familiar envolve dimensões econômicas, ambientais e sociais. Além da viabilidade da produção, ela depende de sucessão geracional, qualificação, inclusão, formação de lideranças e preservação da atividade produtiva”, destaca Hartmann.

Por que o cooperativismo é um modelo de crescimento compartilhado?

O cooperativismo permite que produtores de menor porte atuem coletivamente e tenham acesso a estruturas que dificilmente conseguiriam manter individualmente, como processamento industrial, assistência técnica, tecnologia, logística, desenvolvimento de marcas e acesso a mercados. Na Aurora, a produção dos cooperados é reunida, processada e comercializada coletivamente. Esse modelo cria uma relação direta entre o crescimento da cooperativa e o desenvolvimento dos associados.

Quando a organização amplia mercados, melhora seus processos ou investe em tecnologia, esses avanços podem gerar reflexos sobre a produção, a renda e a competitividade das propriedades cooperadas. 

Hartmann aponta que o retorno proporcionado por uma cooperativa não se limita ao resultado financeiro distribuído ao final do exercício. No caso da Aurora, esse retorno pode ser observado em quatro dimensões: 

Econômica: comercialização da produção, remuneração da uva, redução de custos e participação nas sobras.

Técnica: assistência especializada, capacitação e acesso a novas tecnologias.

Social: geração de renda, fortalecimento da agricultura familiar, sucessão rural e desenvolvimento das comunidades.

Institucional: participação nas decisões, transparência, fiscalização da gestão e sentimento de pertencimento ao negócio.

“Por isso, a avaliação do desempenho de uma cooperativa deve considerar não apenas quanto resultado financeiro foi gerado, mas também quantas famílias foram atendidas, quanto valor foi gerado para os produtores, quantas propriedades foram fortalecidas e qual foi o impacto econômico e social produzido nos municípios”, afirma Hartmann. 

Em 2025, a Aurora beneficiou diretamente mais de 1 mil famílias cooperadas, movimentou mais de R$ 700 milhões em sua atividade econômica e manteve investimentos e iniciativas voltados à assistência técnica, à educação, à sustentabilidade e ao desenvolvimento das comunidades.

Cooperativismo que gera valor para quem produz e para quem consome

O negócio cooperativista representa um modelo de desenvolvimento que une competitividade econômica, sustentabilidade social e governança democrática. Na Vinícola Aurora, quase 100 anos de história mostram que é possível crescer sem abandonar as raízes, inovar sem perder a essência e competir sem deixar de colaborar.

Se você quer conhecer vinhos que carregam histórias de famílias, tradição e partilha, visite a Aurora Città ou explore o portfólio da vinícola. Cada taça é um brinde a mais de mil famílias que cultivam a uva com paixão na Serra Gaúcha.