Outro dia, no grupo da família, alguém mandou uma mensagem pedindo ajuda para organizar um evento. Várias respostas vieram em sequência, mas ninguém respondeu à pergunta inicial. Em vez disso, começaram a surgir outras conversas paralelas, desabafos e piadas. No fim, a pessoa ficou sem resposta. Talvez você já tenha vivido isso, aquela sensação de falar e não ser ouvido.
A verdade é que, com tanta pressa e tanto ruído, estamos cada vez mais falando por cima uns dos outros. Escutamos para responder, não para compreender. Mas o que isso tem a ver com cooperativas, com desenvolvimento ou com sustentabilidade? Quase tudo.
No cooperativismo, a escuta não é apenas uma habilidade desejável. Ela é uma condição para que a gestão democrática aconteça de verdade. Se não há escuta, não há deliberação. Se não ouvimos as pessoas, como saber o que elas realmente precisam? Como podemos propor ações relevantes para a comunidade se não entendemos seu contexto, sua história, seus desafios?
Nosso trabalho recente, foi um bom exemplo disso. Para desenvolver uma metodologia voltada à promoção do desenvolvimento sustentável em cooperativas, começamos ouvindo. Mais de 380 pessoas participaram do processo, respondendo a uma pesquisa cuidadosamente elaborada. A partir das suas respostas, conseguimos construir um plano de ação conectado com a realidade do território. Nada foi imposto. Tudo partiu da escuta.
E é isso que muitas vezes diferencia uma cooperativa de uma empresa convencional. Enquanto a empresa foca no que o mercado quer consumir, a cooperativa precisa entender o que sua base deseja construir. Isso só se faz com espaço de fala e, para além, com disposição de ouvir. Escutar o cooperado, o funcionário, o conselho, a comunidade. Escutar a terra, o tempo, os sinais.
E se a gente parasse para ouvir mais? Se, antes de responder, perguntássemos: como posso ajudar? Se nas reuniões das cooperativas houvesse menos formalidade e mais escuta verdadeira? Se cada cooperado entendesse que sua voz ganha força quando também decide escutar o outro?
Talvez a escuta não resolva tudo, mas com certeza é o primeiro passo para qualquer transformação coletiva. Porque cooperar, no fim das contas, é mais do que agir junto. É sentir junto, pensar junto, construir junto. E nada disso acontece se cada um estiver só falando por si.
Que tal começarmos hoje, escutando mais, com mais calma, mais presença e mais intenção? Que tal começar pela sua família? Município e Cooperativa? Aproveitando o que você gostar de ler neste ano nesta coluna? Envie sugestões: deividforgiarini@gmail.com #tmj

Deivid Ilecki Forgiarini é especialista em Identidade Cooperativista e Gestão, com a missão de descomplicar conceitos e conectar pessoas. Com uma abordagem leve e prática, acredita que boas ideias só fazem sentido quando promovem desenvolvimento sustentável, enxergando no cooperativismo uma importante ferramenta para transformar vidas e fortalecer comunidades. Atualmente, é professor na Universidade Federal do Acre e coordena o mestrado profissional em Administração Pública, após uma longa trajetória como coordenador da graduação na Escoop – SESCOOP/RS.
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