Entre tecnologias emergentes e novos modelos de gestão, existe um ativo que muitas vezes é subestimado nas organizações: o conhecimento transmitido entre gerações.
A Cooperativa Vinícola Aurora tem como uma de suas principais características o fato de que muitas famílias cooperadas permanecem ligadas à vitivinicultura por diversas gerações. Isso faz com que o cultivo seja mais que uma atividade econômica, mas um legado familiar transmitido de pais para filhos.
Conheça no texto a seguir como a continuidade geracional contribuiu diretamente para a qualidade dos produtos da Vinícola Aurora.
Lições das primeiras gerações
Desde os primeiros associados que fundaram a Cooperativa Vinícola Aurora em 1931, muitos deles descendentes de imigrantes italianos, a relação com a terra e com o parreiral sempre foi muito forte.
Em várias propriedades da Serra Gaúcha, o que se vê é a continuidade de um mesmo trabalho ao longo do tempo: os avós iniciaram o cultivo da uva, os filhos deram sequência, ampliando os parreirais e, hoje, os netos seguem envolvidos na atividade, muitas vezes trazendo novos conhecimentos e tecnologias para a produção.
“Em diversas famílias cooperadas, o parreiral que existe hoje começou a ser plantado décadas atrás pelos próprios fundadores ou pelos primeiros associados da Aurora. É comum encontrar histórias em que o avô entregava a produção de uvas para a cooperativa com cestos de palha e em carroças; depois, o pai assumiu a propriedade, modernizando os materiais e, hoje, os filhos participam da gestão da produção, com bins e caminhões”, contou Tiago Fronza Frare, Secretário do Conselho de Administração e cooperado da Cooperativa Vinícola Aurora.
Esse legado também aparece no modo de produzir. Muitas práticas foram aprendidas no convívio familiar, como o cuidado com a poda, a atenção ao ponto certo da colheita, o respeito pelo ciclo da natureza e o compromisso com a qualidade da uva.
Uma trajetória de meio século

Entre as diversas histórias ligadas à Vinícola Aurora, a trajetória de Nauro Morbini se destaca pela longevidade. Ele é enólogo da cooperativa há 50 anos e acompanhou diversas gerações da marca ao longo dos anos.
A história de Nauro Morbini e da Vinícola Aurora iniciou-se em 1973, quando ele começou como pesador de uvas durante as férias escolares no posto da Busa, onde hoje se localiza a unidade Vinhedos.
“Em 22 de janeiro de 1975, ingressei na Aurora como estagiário na área de Enologia. No dia 2 de maio de 1975, fui efetivado como integrante do quadro de enólogos da cooperativa”, relembra.
Desde então, ele participou de marcos importantes da cooperativa. Com olhar experiente e otimista, Nauro destaca o potencial do país em relação ao mercado internacional de vinhos.
“A viticultura no Brasil tem evoluído de forma notável nas últimas décadas. Nossos vinhos vêm conquistando reconhecimento pela qualidade, tanto no mercado interno quanto no exterior, refletindo o esforço e a dedicação de produtores que acreditam no potencial do nosso terroir”, afirma.
Confira a história completa de Nauro Morbini aqui no blog da Aurora.
O conhecimento acumulado como patrimônio da cooperativa
Histórias como a de Nauro Morbini são uma representação prática de como cada cooperado carrega consigo um repertório único de experiências e aprendizados. Esse conhecimento não está apenas em manuais ou documentos, mas em habilidades adquiridas no dia a dia.
Quando esse saber é compartilhado entre gerações, ele se transforma em um patrimônio da marca. Profissionais experientes contribuem para o desenvolvimento dos mais jovens.
Essa troca contribui para reduzir erros e preservar padrões de qualidade que foram construídos ao longo dos anos. Em muitos casos, a experiência acumulada se torna um diferencial competitivo que nenhuma tecnologia é capaz de substituir.
Fortalecimento do cooperativismo
Outro aspecto importante é que o vínculo entre famílias e cooperativa fortalece o próprio cooperativismo, segundo Tiago Frare.
“O produtor que cresce vendo seus pais e avós participarem da Aurora entende desde cedo que a cooperativa não é apenas uma empresa, mas uma construção coletiva, que depende da participação e do comprometimento de todos”, comentou.
Dessa forma, as histórias dessas famílias mostram que a vitivinicultura na região não se resume a uma atividade agrícola. Ela representa identidade, tradição e continuidade, moldando o jeito de produzir uva e vinho na Aurora até hoje.
A experiência como fator de decisão
Na vitivinicultura, muitas decisões não dependem apenas de análises técnicas ou de equipamentos modernos, mas também da experiência acumulada ao longo de muitos anos de observação do vinhedo.
De acordo com Tiago, nas propriedades familiares é muito comum que os mais jovens aprendam desde cedo a observar sinais que muitas vezes não estão em manuais ou planilhas.
“O pai ou o avô ensina, por exemplo, a perceber a mudança de cor da uva, a textura da casca, o sabor do grão, o comportamento das folhas ou até o cheiro do parreiral em determinados momentos da maturação. Esses detalhes ajudam muito a identificar o momento ideal para colher, algo que pode fazer toda a diferença na qualidade da uva entregue à cooperativa”, afirmou.
Em anos climaticamente mais desafiadores — com excesso de chuva, períodos de seca ou mudanças bruscas de temperatura — esse conhecimento transmitido entre gerações também se torna fundamental.
Os produtores que já viveram muitas safras conseguem comparar a situação atual com experiências do passado e tomar decisões mais seguras, como antecipar ou adiar a colheita, ajustar o manejo do vinhedo ou intensificar determinados cuidados com as plantas.
“Esse tipo de aprendizado também fortalece a confiança entre as gerações dentro da propriedade. Muitas vezes o filho traz novas informações técnicas, aprendidas com a assistência agronômica, enquanto o pai ou o avô contribui com a experiência prática de décadas trabalhando na terra”, completa Tiago
A transição entre gerações

Embora a transmissão do conhecimento seja um dos pilares da continuidade geracional, muitos jovens optam por deixar o campo para buscar oportunidades na cidade, estudar em outras áreas ou até mesmo buscar uma rotina diferente da vida rural.
Pensando justamente nesse desafio, a Cooperativa Vinícola Aurora vem desenvolvendo iniciativas voltadas à valorização e à preparação das novas gerações, buscando aproximar os jovens da realidade do campo e mostrar que a vitivinicultura pode ser também um caminho de futuro.
Um exemplo importante é o Programa Jovem Aprendiz do Campo, criado com o objetivo de incentivar a participação dos filhos e filhas de cooperados na atividade vitivinícola.
“O programa oferece formação e acompanhamento para esses jovens, permitindo que eles conheçam melhor os processos produtivos, desenvolvam habilidades ligadas à gestão da propriedade e compreendam a importância do cooperativismo dentro da cadeia da uva e do vinho”, explicou Tiago.
Além do aprendizado técnico, o programa também busca despertar nos jovens o sentimento de pertencimento e responsabilidade em relação à propriedade da família.
Com iniciativas como essa, a Aurora procura fortalecer a sucessão no campo e garantir que o conhecimento, a tradição e o trabalho construídos ao longo de tantas gerações continuem sendo levados adiante.
Conheça a Vinícola Aurora
Com mais de 1,1 mil cooperados, a Vinícola Aurora nasceu em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha.
A cooperativa se baseia em uma economia sustentável, na qual o produtor rural tem o seu trabalho reconhecido e prestigiado. O resultado é uma linha de vinhos premiada e de alta qualidade.
Saiba mais sobre a Aurora aqui.


