Quando chega a conta de luz, o boleto do mercado ou a fatura do cartão, a gente costuma olhar rápido, conferir o valor e seguir a vida. No máximo, reclamamos do preço e tentamos ajustar o orçamento. Mas existe um hábito que faz diferença na vida de uma comunidade inteira e que começa com a mesma atitude: parar, olhar com atenção e perguntar “isso está fazendo sentido?”.
Em uma cooperativa, essa pergunta tem nome e tem lugar. Prestação de contas e assembleia não são formalidades. São o momento em que os associados, que são donos do negócio, exercem de verdade a gestão democrática. É ali que números viram conversa, decisões viram rumo e a cooperativa lembra por que existe: para atender necessidades coletivas e melhorar a vida das pessoas.
Quando um associado participa da assembleia, ele não está apenas “indo a uma reunião”. Ele está cuidando do patrimônio que é dele e dos demais. Está ajudando a definir prioridades, aprovar investimentos, avaliar resultados, cobrar transparência e reconhecer o que está funcionando. E isso vale para tudo: desde a qualidade do serviço até o jeito como a cooperativa reinveste suas sobras no desenvolvimento da região.
A gestão democrática só acontece quando o associado aparece. E aparecer não é só estar presente fisicamente. É ler o material, fazer perguntas, ouvir argumentos diferentes, votar com consciência e acompanhar se o que foi decidido está sendo cumprido. É entender que a cooperativa não é “eles”, é “nós”. Quando a participação diminui, a cooperativa corre o risco de ficar parecida com qualquer empresa, com decisões concentradas e pouca conexão com a base. Quando a participação aumenta, a cooperativa fortalece sua identidade e melhora sua capacidade de gerar qualidade de vida no território.
E qualidade de vida, aqui, não é um conceito distante. É emprego que se mantém na região, é fornecedor regional que ganha espaço, é projeto comunitário que sai do papel, é serviço melhor, é educação cooperativista, é confiança. Uma cooperativa bem governada tende a ser mais transparente, mais eficiente e mais alinhada ao que a comunidade realmente precisa. E isso não nasce do acaso. Nasce de rotina democrática.
No fim, a lógica é simples: do mesmo jeito que a gente cuida do que é nosso dentro de casa, a cooperativa pede que a gente cuide do que é nosso em conjunto. Então, fica o convite: na próxima prestação de contas, não passe reto. Leia, pergunte, participe. Porque quando o associado se envolve, a cooperativa melhora. E quando a cooperativa melhora, a região se desenvolve.

Deivid Ilecki Forgiarini é especialista em Identidade Cooperativista e Gestão, com a missão de descomplicar conceitos e conectar pessoas. Com uma abordagem leve e prática, acredita que boas ideias só fazem sentido quando promovem desenvolvimento sustentável, enxergando no cooperativismo uma importante ferramenta para transformar vidas e fortalecer comunidades. Atualmente, é professor na Universidade Federal do Acre e coordena o mestrado profissional em Administração Pública, após uma longa trajetória como coordenador da graduação na Escoop – SESCOOP/RS.
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